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Combatentes curdos iraquianos chegam para ajudar Kobani

Um grupo de soldados, em número não revelado, partiu do aeroporto turco para se juntar aos combates em um comboio escoltado pelo Exército

Os primeiros combatentes curdos iraquianos voluntários para reforçar a cidade síria de Kobani, assediada pelas forças do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), chegaram na madrugada desta quarta-feira ao Aeroporto de Sanliurfa, no sul da Turquia, reporta a rede CNN. Os combatentes peshmergas, em número não confirmado, seguiram imediatamente a bordo de três ônibus para a fronteira entre Turquia e Síria, a cerca de 50 km de Sanliurfa, escoltados por quatro blindados do Exército turco e por um carro da polícia.

As forças de segurança turcas fecharam a estrada até a fronteira, impedindo que os numerosos jornalistas seguissem o comboio. Sob a pressão dos Estados Unidos, o governo turco autorizou, na semana passada, a passagem por seu território de combatentes vindos da província autônoma curda do Iraque, com a qual Ancara mantém boas relações. Além do reforço procedente de Sanliurfa, um comboio com cerca de quarenta veículos com armas pesadas seguiu para Kobani via Turquia, passando pela cidade de fronteira de Silopi.

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Horas antes em Erbil, capital da região do Curdistão iraquiano, um correspondente da agência France-Presse testemunhou dezenas de caminhões militares deixando uma base do nordeste da cidade. “Quarenta veículos transportando armas, peças de artilharia e metralhadoras, com oitenta peshmergas a bordo, estão a caminho da província de Dohuk e atravessaram hoje a fronteira” com a Turquia, informou um oficial curdo. Outro contingente, de 72 combatentes curdos, partirá no início da quarta-feira de avião para a Turquia, de onde irá para a fronteira entre Turquia e Síria por Mursitpinar, localidade turca mais próxima de Kobani.

Recusas turcas – Apesar da pressão americana, Ancara não quer ir além da permissão de ceder seu território para a movimentação de tropas e se recusa a ajudar militarmente as forças curdas em Kobani. Os turcos temem que uma operação como essa beneficie apenas o regime do ditador sírio Bashar Assad – seu maior inimigo -, e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em turco), grupo separatista que enfrenta as forças de segurança da Turquia desde 1984.

O governo turco deseja que a oposição síria moderada assuma o controle da cidade e que, para isso, pede que Washington “equipe e treine” o Exército Sírio Livre. Os combates prosseguem em Kobani, onde um dos objetivos dos jihadistas do EI é tomar o controle de bairros do norte e bloquear o caminho para a Turquia. Nesta terça, pelo menos nove extremistas islâmicos foram mortos em uma emboscada de combatentes curdos entre duas aldeias da periferia leste da cidade, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Aviões da coalizão realizaram três ataques contra alvos no centro de Kobani, revelou a ONG. Os combatentes curdos conseguiram repelir várias investidas recentes em um conflito que já dura mais de quarenta dias, apoiados pelos ataques aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

(Com agência France-Presse)