Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Comandante na Síria diz não concordar com retirada anunciada por Trump

Joseph Votel afirmou que o Estado Islâmico "está longe de ser derrotado"

O comandante das tropas americanas na Síria, Joseph Votel, se declarou contra a decisão de retirar suas forças militares do país. Em entrevista à CNN, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos desafiou publicamente o presidente Donald Trump, que em dezembro de 2018 anunciou a saída “rápida e completa” do Exército que combatia o Estado Islâmico. O general afirmou que o grupo terrorista “está longe de ser derrotado.”

Votel também disse que a coalizão liderada pelos Estados Unidos não está pronta para lidar com as ameaças da milícia de forma independente. “Não seria o meu conselho para ação militar neste contexto específico. Eu não teria feito essa sugestão, francamente.” Para ele, as Forças Democráticas da Síria (FDS) “ainda precisam de nossas habilidades e nossa assistência com isso”, acrescentando que as forças militares americanas estão no meio da execução de uma “campanha militar bem estruturada.”
“O califado ainda tem líderes, ainda tem soldados, ainda tem formadores, ainda tem recursos, então nossa pressão militar contínua é necessária para a perseguição àquela rede”, completou o comandante. 
Instalado em uma base de Omã, o general ainda afirmou que Trump foi precipitado ao declarar a derrota dos jihadistas. “Quando eu digo, ‘nós os derrotamos’, quero ter a certeza de que isso significa que eles não têm a capacidade de tramar e direcionar ataques contra os Estados Unidos e seus aliados. Eles ainda têm uma ideologia muito poderosa, que pode inspirar mais pessoas.”
Em outra ocasião, o comandante americano já havia dito que “não foi consultado” antes do controverso anúncio de Trump no fim do ano passado. A decisão de retirar os 2.000 militares do território sírio foi vista com maus olhos por diversos legisladores e membros do governo americano, provocando uma onda de demissões entre os apoiadores do presidente, incluindo o ex-Secretário da Defesa James Mattis.

Ameaça iraniana

Votel ainda mencionou a suposta ameaça do Irã aos parceiros dos Estados Unidos no Oriente Médio e se disse preocupado com o desenvolvimento bélico do país, apesar de reconhecer que Teerã continua fiel ao acordo nuclear do qual Trump decidiu sair em 2018.
“Eu soube que eles se mantiveram dentro da cláusulas do JCPOA [o acordo nuclear], mas observamos que eles continuam avançando na tecnologia de seus mísseis. E não deve ser surpresa que um programa avançado pode culminar em armas de destruição em massa. Sua habilidade de inovar, de buscar mais precisão, e o fato de que eles estão aumentando seu arsenal em quantidade são as maiores áreas de preocupação para mim”, explicou o general.
Na quinta-feira 14, o comandante do Centro Naval dos Estados Unidos, James Malloy, verbalizou preocupações semelhantes às de Votel, comentando a crescente melhoria no projeto de armas do Irã. Os comentários das autoridades militares se alinham ao pedido do vice-presidente americano, Mike Pence, para que outras nações abandonem pactos bélicos com o país persa, em represália às supostas atitudes irregulares de Teerã.
Nesta semana, Pence convocou um encontro com 62 países em Varsóvia, na Polônia, para confrontar diretamente o governo iraniano.