Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Comandante iraniano assume responsabilidade por queda de avião em Teerã

Chefe da divisão aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, Amirali Hajizadeh declarou que engano ocorreu diante de alerta para 'guerra total'

Por Reuters Atualizado em 30 jul 2020, 19h31 - Publicado em 11 jan 2020, 16h36

O chefe da força aérea da Guarda Revolucionária do Irã assumiu neste sábado, 11, a responsabilidade pela queda do avião atingido por um míssil iraniano na quarta-feira, 8. Mais cedo, o país persa admitiu ter disparado o artefato contra o Boeing 737-800 da Ukraine Airlines International, que caiu dois minutos depois de decolar de Teerã com 176 pessoas a bordo, todas mortas no desastre.   

Amirali Hajizadeh, chefe da divisão aeroespacial da Guarda, afirmou que soube que um míssil tinha derrubado o avião ucraniano no mesmo dia do incidente e que assumia “total responsabilidade” por ele. “Eu gostaria de poder morrer e não testemunhar um acidente assim”, disse Hajizadeh à televisão estatal iraniana.

O Estado-Maior do Irã garantiu à população que o “responsável” pela tragédia será levado imediatamente à Corte Marcial e que o fato não se repetirá. “Garantimos que com as reformas fundamentais nos processos operacionais das Forças Armadas tornaremos impossível a repetição de erro semelhante”, diz o comunicado.

O chefe militar disse ainda que a força liderada por ele agiu por engano diante de um alerta para “guerra total”. “Naquela noite, estávamos preparados para uma guerra total”, afirmou, acrescentando que as unidades de defesa aérea estavam em alerta máximo e que uma camada extra de defesas havia sido instalada em Teerã.

Hajizadeh afirmou que a Guarda solicitou que voos comerciais fossem interrompidos, mas disse que os pedidos não foram atendidos. Ele acrescentou ter sido informado sobre o ataque com mísseis ao avião de passageiros ucraniano na quarta-feira.

O avião caiu pouco depois que o Irã lançou ataques com mísseis contra alvos dos Estados Unidos no Iraque em retaliação pelo assassinato de Qasem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda, pelos EUA no Iraque. O Irã esperava represálias dos EUA.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, declarou que seu país “lamenta profundamente” o incidente, que chamou de “grande tragédia” e “erro imperdoável”, segundo nota emitida pela agência estatal de notícias Irna. “A investigação interna das Forças Armadas concluiu que, lamentavelmente, mísseis lançados por um erro humano causaram o horrível impacto no avião e a morte de 176 inocentes”, diz a nota emitida pelo governo.

A maioria das vítimas tinha nacionalidades iraniana e canadense, mas também havia britânicos, suecos e ucranianos a bordo. O ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, apresentou as desculpas do Irã pela catástrofe.

Continua após a publicidade

Publicidade