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Comandante de navio naufragado é interrogado por 3 horas

Schettino admite que comandava o Concordia na hora do acidente; acusação é de que ele teria abandonado o navio pouco depois. Ouça o áudio com diálogo

O capitão do cruzeiro Costa Concordia, Francesco Schettino, admitiu nesta terça-feira diante da juíza de instrução Valeria Montesarchio que estava no comando da embarcação no momento em que o navio colidiu contra as rochas em águas da ilha italiana de Giglio, na sexta-feira à noite. Seu depoimento – para esclarecer a acusação de que teria abandonado a embarcação antes de todos – durou cerca de três horas, de acordo com a imprensa italiana.

Entenda o caso

  1. • O navio Costa Concordia viajava com mais de 4.200 pessoas a bordo quando bateu em uma rocha junto à ilha italiana de Giglio, na noite do dia 13 de janeiro.
  2. • A colisão abriu um grande buraco no casco do navio, que começou a encher de água. O comandante teria tentado se aproxima da ilha, mas a embarcação encalhou em um banco de areia e virou.
  3. • Onze mortos foram confirmados até o momento; ainda há 24 desaparecidos.
  4. • Os trabalhos de buscas são coordenados com a tarefa de retirar as 2.400 toneladas de combustível do navio, sob o risco de contamição da área do naufrágio.

“Era eu quem estava no comando do navio no momento do impacto”, admitiu Schettino, de acordo com o procurador Francesco Verusio, que logo depois concedeu uma entrevista coletiva em Grosseto (centro da Itália) para repassar informações sobre o interrogatório, na sede do Tribunal dessa cidade italiana. Verusio alertou para o risco de fuga do capitão caso ele seja libertado, “já que ele as responsabilidades que carrega são importantes”. No momento, a juíza Valeria Montesarchio se reúne com a procuradoria e a defesa para decidir o que será feito em relação ao acusado.

Schettino foi preso no sábado por homicídio múltiplo por imprudência, naufrágio e abandono de navio. Ele foi levado para a prisão de Grosseto, acusado de ter se aproximado demais da costa para efetuar uma parada chamada de “inchino” (a reverência) com todas as luzes acesas e as sirenes ligadas. O cruzeiro se chocou contra uma rocha a cerca de 500 metros da costa. Nesta terça-feira, foram localizados mais cinco corpos no casco do navio, elevando o número de mortos para 11.

Perfil – Um investigador comparou Schettino – ex-comandante de balsas que chegou aos cruzeiros em 2002 e quatro anos depois já era comandante – a alguém que “dirigia um carro de luxo como uma Ferrari na estrada”. Segundo o oficial Pellegrino, ele “adorava mandar em quem se ocupava das máquinas”. Colegas do capitão entrevistados pela imprensa local também guardam uma coleção de críticas a respeito de sua conduta, chamando-o de autoritário, imprudente e exibicionista.

O Costa Concordia, um “gigante dos mares” de 300 metros de comprimento e 38 de largura, altura de um prédio de dez andares, era capaz de navegar a mais de 20 nós (37 quilômetros por hora). O proprietário do navio, Costa Crociere (grupo americano Carnival), tem se “dissociado” de sua conduta, condenando o “erro humano” e ressaltando que a trajetória feita não foi “autorizada nem certificada” pelo Costa.

Ouça, abaixo, o diálogo que comprova a fuga do comandante do Concordia:

(Com agência EFE)