Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Com o fim das restrições da Covid na Inglaterra, cientistas pedem cautela

Na contramão do restante da Europa, país viveu hoje o primeiro ‘Dia da liberdade’ desde o início da pandemia

Por Da Redação 19 jul 2021, 19h28

Após três lockdowns e quase um ano e meio de pandemia, a Inglaterra acordou nesta segunda-feira, 19,  um passo mais perto do normal após eliminar quase todas as medidas legais contra a Covid-19, como usar máscara ou manter distanciamento social, apesar do aumento das infecções. 

Depois de semanas de manchetes e discursos políticos, chegou o “Dia da liberdade” e com ele o fim dos bloqueios na Inglaterra, data marcada para a última semana de junho e adiada por três semanas devido ao progresso da variante delta.

Mas o grande dia de Johnson foi manchado pelo caos pandêmico porque um aplicativo do Serviço Nacional de Saúde ordenou centenas de milhares de pessoas ao auto-isolamento – gerando alertas de que prateleiras de supermercado poderiam ficar vazias em breve.

O Reino Unido tem o sétimo maior número de mortes no mundo, 128.708, e a projeção é que em breve tenha mais novas infecções diárias do que no auge da segunda onda do vírus, no começo deste ano. 

A nova leva de casos, que ronda os 50 mil por dia e chegará a pelo menos 100 mil, não impediu alguns ingleses de adotarem o novo normal, sem limites de capacidade em interiores ou exteriores e com vida noturna. 

A noite voltou ao centro de Londres, onde centenas de pessoas fizeram longas filas para festejar, incluindo a contagem decrescente da “liberdade”. 

Tudo isso sem se preocupar com exames de Covid-19 negativados, máscaras, distância social ou certificado de vacinação, que serão obrigatórios a partir de final de setembro para participar de eventos de massa.

  • O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, confinado após suspeita de infecção por coronavírus, pediu cautela na reabertura.

    Continua após a publicidade

    Em entrevista coletiva de seu isolamento, Johnson defendeu o sistema de rastreamento, fonte de polêmica esta semana, sobre o grande número de pessoas que tiveram que se confinar após receber a notificação de terem entrado em contato com alguns infectados.

    Essas ordens de isolamento forçaram o fechamento de parte do metrô de Londres por falta de pessoal, situação que também causou estragos no varejo, hospitalidade ou indústria.

    Os trabalhadores essenciais serão dispensados ​​do confinamento por contato positivo se tiverem o esquema de vacinação completo, anunciou Johnson nesta segunda-feira.

    Embora a máscara não seja mais uma exigência legal em espaços fechados — ao ar livre ela nunca foi obrigatória — algumas companhias aéreas, supermercados ou outras lojas anunciaram que continuarão incentivando seus clientes a fazerem uso da proteção.

    O uso de máscaras também será obrigatório no metrô e nos ônibus de Londres, uma medida que espera inspirar confiança aos habitantes da cidade.

    A British Medical Association (BMA) garantiu em comunicado que manter as restrições é a melhor opção para o povo e para a economia, opinião que não converge com a do Executivo britânico, que vê a reabertura como uma decisão “agora ou nunca”, aproveitando o verão, com as salas de aula vazias e a vida social acontecendo lá fora.

    No entanto, mais de mil cientistas o censuraram por essa estratégia e assinaram uma carta, publicada no The Lancet, na qual alertam que pôr fim às restrições é um experimento perigoso e pouco ético.

    Até hoje, o  Reino Unido tem 68,5% da população vacinada com as duas doses.

    Contrastante com a reabertura britânica, no resto da Europa a cautela se mantém devido ao aumento das infecções e à pressão nos hospitais. Apesar disso, a taxa de vacinação está acelerando e já ultrapassa os Estados Unidos na proporção da população com pelo menos uma dose.

    Continua após a publicidade
    Publicidade