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Com medo do ‘day after’, venezuelanos fazem fila em supermercados após queda de Maduro

Habitantes da capital também se aglomeraram em frente a farmácias e postos de gasolina, de olho em armazenar comida e outros insumos básicos

Por Santiago Martínez Ruano, de Caracas 3 jan 2026, 17h58 | Atualizado em 3 jan 2026, 20h11
Com medo do ‘day after’, venezuelanos fazem fila em supermercados após queda de Maduro Priorize VEJA no Google

Com mares de gente, as filas são longas em Caracas neste sábado, 3, para a compra de insumos e alimentos. Após uma longa madrugada marcada por estrondos de bombardeios americanos, parte da operação que capturou Nicolás Maduro e sua esposa, os venezuelanos temem, mais que tudo, o day after.

O que virá em seguida? Novos ataques, um vácuo de poder, uma guerra civil, uma violenta contração econômica — tudo está na mesa. Como de costume em situações de incerteza (e elas são muitas desde o início do governo Maduro), eles decidiram abastecer suas casas em preparação para o pior.

A reportagem de VEJA encontrou em Caracas uma cidade vazia, desolada. Foram poucos os que ousaram sair de casa depois dos ataques americanos. Dos que saíram, a maioria dirigiu-se a portas de supermercados e farmácias (e uma pequena minoria foi protestar pela libertação de Maduro).

A motorcycle rides along an empty street in Caracas on January 3, 2026. President Donald Trump said Saturday that US forces had captured Venezuela's leader Nicolas Maduro after bombing the capital Caracas and other cities in a dramatic climax to a months-long standoff between Trump and his Venezuelan arch-foe. (Photo by Pedro MATTEY / AFP)
Motociclista trafega por avenida vazia de Caracas, após ataques dos EUA na Venezuela e captura de Nicolás Maduro. 03/01/2026 – (Pedro Mattey/AFP)

Muitos dos que peregrinaram por insumos admitem que se trata de uma compra por precaução: de fato, possuem alimentos em casa, diferente de outras épocas quando a escassez era a principal marca da Venezuela. Mas, diante da incerteza política, buscam armazenar os poucos produtos que há.

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A senhora Rosangela Marín contou à reportagem de VEJA que percorreu boa parte do oeste de Caracas e que a maioria dos comércios estava fechada, desde padarias até grandes estabelecimentos.

“Venho desde o bairro Catia e o que tenho visto são filas longas para comprar. Quero ter por precaução”, disse ela.

 

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Fila em frente a supermercado em Caracas, após ataques dos EUA na Venezuela e captura de Nicolás Maduro. 03/01/2026 -
Fila em frente a supermercado em Caracas, após ataques dos EUA na Venezuela e captura de Nicolás Maduro. 03/01/2026 – (Carolina Moro/VEJA)
Fila em frente a supermercado em Caracas, após ataques dos EUA na Venezuela e captura de Nicolás Maduro. 03/01/2026 -
Fila em frente a supermercado em Caracas, após ataques dos EUA na Venezuela e captura de Nicolás Maduro. 03/01/2026 – (Carolina Moro/VEJA)
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Ao ser questionada sobre o que ocorreu durante a madrugada e que levou à captura de Maduro, ela descreveu sentir que isso faz parte do que significa viver na Venezuela: “É preciso aguentar. Vivemos neste país, para onde mais vamos ir?”

Na mesma fila estava Diana Gago, uma mulher de cerca de 30 anos, que contou a VEJA que já esperava havia mais de uma hora e ainda não  tinha conseguido entrar no supermercado.

“Procuro farinha, ovos, água e atum”, afirmou a venezuelana, que também reconhece ter alguma comida em casa, mas, por precaução, prefere ter maior disponibilidade de insumos.

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Fila para encher o tanque em posto de gasolina em Caracas, na Venezuela. 03/01/2026 -
Fila para encher o tanque em posto de gasolina em Caracas, na Venezuela. 03/01/2026 – (Carolina Moro/VEJA)

Em farmácias e postos de gasolina, também são observadas longas filas. Nesses estabelecimentos, quando estão abertos, não é mais tão difícil encontrar produtos. Mas a inflação, que fez o bolívar virar pó (deve chegar a 270% neste ano), e o avanço da pobreza, que atinge hoje 73% da população, reduziram o poder de compra dos venezuelanos que, se nutrem o hábito de abastecimento, logo se veem obrigados a consumir o que deveria servir como garantia de longo prazo.

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