Com EUA de fora, França e Reino Unido reúnem 40 países em cúpula para reabrir Ormuz
Comunidade internacional se mobiliza para garantir a segurança da navegação na rota por onde passa 20% do petróleo global
Os líderes da França e do Reino Unido presidirão uma reunião com cerca de 40 países, sem a participação dos Estados Unidos, nesta sexta-feira, 17, que discutirá esforços para a reabertura do Estreito de Ormuz — rota por onde passa 20% do petróleo mundial, fechada desde o início da guerra no Oriente Médio.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu na manhã desta sexta. Em Paris, ele disse que “faria tudo o que pudesse” para aliviar o impacto econômico da guerra no Irã e destravar a nevrálgica passagem.
“A reabertura incondicional e imediata do estreito é uma responsabilidade global, e precisamos agir para fazer com que a energia e o comércio globais voltem a fluir livremente”, declarou Starmer, que acusou o Irã de “manter a economia mundial como refém” ao bloquear a navegação na região.
Antes da conferência, Macron afirmou em uma publicação no X (antig0 Twitter) que a missão para garantir a segurança da navegação na região será “estritamente defensiva”, restrita a países não envolvidos no conflito e executada “quando as condições de segurança permitirem”.
A lista de participantes da cúpula não foi divulgada, mas Macron e Starmer discutiram o assunto com representantes de mais de 40 países nas últimas semanas, incluindo nações do Oriente Médio e da Ásia. O governo americano não se juntou à mobilização, que foi batizada informalmente de Iniciativa pela Liberdade de Navegação Marítima no Estreito de Ormuz, enquanto Donald Trump mantém ativo o seu próprio bloqueio em Ormuz contra embarcações iranianas.
Apesar de não participar, Trump afirmou que pretende “abrir permanentemente” e sozinho o Estreito de Ormuz.
Bloqueio americano
A cúpula internacional ocorre poucos dias após os Estados Unidos iniciarem um bloqueio naval ao redor de Ormuz. Depois que as negociações de paz com o Irã fracassaram no fim de semana, o presidente Donald Trump ordenou um cerco completo à passagem, autorizando a interceptação de embarcações com origem ou destino a portos iranianos. O cerco mobilizou 10 mil militares, quinze navios de guerra e dezenas de aviões e helicópteros para fiscalizar uma área que engloba o Golfo de Omã e o Mar Arábico (o Estreito de Ormuz conecta essas águas ao Golfo Pérsico, lar das monarquias árabes petrolíferas).
Com a medida, os Estados Unidos pretendem pressionar o setor de petróleo iraniano, pilar de sua economia e responsável por 10% a 15% do PIB, e encerrar os pagamentos do chamado “pedágio de Teerã”, que por cerca de US$ 2 milhões tem permitido navios seletos atravessarem a nevrálgica rota marítima.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), unidade do Pentágono responsável pela região do Oriente Médio, informou na quinta-feira que treze embarcações tiveram que dar meia-volta e retornar a um porto ou a uma área costeira do Irã durante as primeiras 48 horas do bloqueio que começou na segunda-feira. Apesar disso, o regime iraniano afirmou que está utilizando portos alternativos para contornar a Marinha americana e que dois de seus navios conseguiram furar a barreira e atravessar Ormuz em 24h.
Crucial rota marítima por onde transitam cerca de 20% do petróleo e gás consumidos pelo mundo, Ormuz foi efetivamente fechado pelo Irã desde o início da guerra, como retaliação aos ataques que sofreu dos Estados Unidos e Israel. Durante o conflito, o fluxo no estreito despencou de 130 para seis navios por dia.
A passagem deveria ser aberta mediante uma trégua acordada em 8 de abril, que vigora, inicialmente, até a próxima terça-feira, 21, mas permaneceu trancada devido a um desacordo sobre os termos (em especial, a continuidade dos bombardeios israelenses contra o Líbano, uma das múltiplas frentes do conflito).







