Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Com aliados da Alba, Chávez celebra 20º aniversário de golpe frustrado

Caracas, 4 fev (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, celebrou neste sábado a tentativa frustrada de golpe de Estado que ele próprio liderou há 20 anos, com um desfile cívico-militar presenciado em Caracas por governantes de sete países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), apesar das críticas da oposição.

O desfile festejou um dia reivindicado por Chávez como o germe da Revolução Bolivariana. A ocasião deste sábado lhe serviu para exibir o poderio militar de seu país diante dos presidentes Evo Morales (Bolívia), Raúl Castro (Cuba), Daniel Ortega (Nicarágua) e Michel Martelly (Haiti) e dos primeiros-ministros Ralph Gonsalves (São Vicente e Granadinas), Roosevelt Skerrit (Dominica) e Baldwin Spencer (Antígua e Barbuda).

Os oito líderes (incluindo Chávez) também participam em Caracas neste fim de semana da 11ª Cúpula da Alba, para a qual também se espera a presença do presidente do Equador, Rafael Correa, e dos governantes de Santa Lúcia e Suriname.

O desfile cívico-militar, ato central das celebrações da efeméride, começou instantes após Hugo Chávez chegar ao camarote de autoridades em um automóvel conversível junto a sua filha Rosa, antes de trocar saudações com o general Cliver Alcala.

O militar disse ao presidente que o desfile deste sábado tinha ‘12,4 mil compatriotas socialistas, revolucionários, antiimperialistas, chavistas treinados e equipados com material de guerra de alta tecnologia’.

Chávez mencionou Alcala como exemplo de militar e afirmou que ‘a oligarquia crioula queria ter militares subordinados ao imperialismo’, mas estes ‘nunca mais voltarão a existir na Venezuela’ porque os de agora são efetivamente ‘revolucionários, antiimperialistas, socialistas e chavistas’.

Tanques, mísseis, lança-mísseis e fuzis adquiridos recentemente da Rússia, junto a helicópteros e aviões de combate Sukhoi, que sobrevoaram Caracas acompanhados por caças Super Tucano (brasileiros), K-8 (chineses) e F-16 (americanos), fizeram parte do poderio bélico presente no festejo do também chamado Dia da Dignidade.

Também desfilaram Tanques T-72, veículos blindados BMP-3, sistemas de armas BTR-80, lança-foguetes múltiplos Grad de 122 mm, propulsores Nona SVK Calibre 120 mm, e 120MM SANI, e Sistemas IGLA-S e ZU-23, além dos helicópteros e os Sukhoi-30.

‘Este é um desfile histórico bolivariano revolucionário’, disse o presidente ao término do evento, reivindicando novamente o golpe contra o então governo de Carlos Andrés Pérez.

Chávez rejeitou as críticas da oposição ao desfile deste sábado. ‘Não nos importa sua condenação (…). Eles não têm mapa nem têm bússola, o que têm é puro ódio e desconhecimento da história’.

Já a filha mais velha do falecido presidente Carlos Andrés Pérez, Carolina Pérez, considerou lamentável a celebração da tentativa de golpe de Estado contra seu pai. ‘Embora o povo que apoia Chávez pense que este é um bom dia para a Venezuela, eu acho que dizem por fanatismo, pois este é um dia muito triste para a Venezuela’, disse Carolina à Agência Efe.

Ela lembrou que 17 militares e 80 civis morreram naquele dia, segundo registrou o governo da época. Em sua opinião, é ‘ilógico celebrar um dia tão nefasto para a democracia venezuelana, além de ter sido um fracasso’.

‘Acho incrível que o presidente Chávez queira voltar a tentar reescrever a história. Ele acha que a memória dos venezuelanos não existe’, exclamou a filha do ex-presidente Pérez, falecido em dezembro de 2010 em Miami (EUA) e enterrado em Caracas em outubro passado.

A tentativa militar de 4 de fevereiro de 1992 contra o então presidente Carlos Andrés Pérez fracassou ao anoitecer do mesmo dia. O então tenente-coronel Chávez foi preso, mas anistiado dois anos depois. EFE