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Colonos judeus ameaçam retomar construções na Cisjordânia

A poucas horas do fim da moratória, o premier Benjamin Netanyahu pede “moderação” e “responsabilidade”.

Abbas anunciou neste domingo, em Paris, que a Liga Árabe se reunirá por iniciativa sua, em 4 de outubro, para analisar a continuidade das negociações de paz

JERUSALÉM – Enquanto no campo diplomático busca-se uma saída que permita salvar as negociações de paz israelense-palestinas na Cisjordânia, colonos israelenses ameaçam voltar a construir quando expirar, à meia-noite deste domingo, a moratória parcial que proíbe fazê-lo. Os colonos garantem ter mobilizado dezenas de escavadeiras, com o propósito de recomeçar as obras na noite deste domingo.

Em uma colônia da Cisjordânia ocupada, dezenas de defensores da retomada das construções fizeram manifestação simbólica em que puseram a primeira pedra de uma futura creche que planejam erguer. Outra manifestação estava prevista para esta tarde na colônia vizinha de Revava.

O deputado Danny Danon, que pertence à ala ultraconservadora do partido Likud, do premier Benjamin Netanyahu, exortou o chefe de governo a “ser forte e resistir às pressões americanas para prorrogar a moratória”. “A mensagem de Judeia e Samaria (nome bíblico da Cisjordânia) vai para o primeiro-ministro. Dizemos a ele: “permanece fiel ao caminho traçado pelo Likud, resiste às pressões do presidente (americano, Barack) Obama e continua construindo em todas as partes”, afirmou o deputado do Likud. Preocupado com o impacto internacional que podem ter as imagens de escavadeiras, o Netanyahu pediu neste domingo aos colonos judeus “moderação” e “responsabilidade”.

Apoiados pela ala direitista do Likud, os colonos preveem colocar a primeira pedra de um novo bairro em Kiryat Netafim, assentamento do norte da Cisjordânia, na tarde deste domingo.

“Da mesma forma que o congelamento foi total, a retomada das construções deve ser total, como prometeu o governo”, avisou Danny Dayan, líder da Yesha, principal organização dos colonos da Cisjordânia. Os colonos também organizam uma contagem regressiva, na noite deste domingo, e os militantes do Likud dizem ter mobilizado uma centena de ônibus que percorrerão a Cisjordânia, em solidariedade aos colonos. O partido ultranacionalista Israel Beitenu e o Shass, formação ultraortodoxa, os dois principais aliados do Likud, também se opõem à prorrogação da moratória.

Em contraposição a eles, o secretário-geral do movimento anticolonização Paz Agora, Yariv Oppenheimer, estimou que “o congelamento quase total da construção demonstra que o governo dispõe de meios para deter os colonos”. Segundo a rádio pública israelense, as obras de mais de 1.500 moradias que conseguiram todas as permissões necessárias das autoridades israelenses podem começar “imediatamente”. Na frente diplomática, os Estados Unidos prosseguem os intensos esforços para alcançar um acordo de última hora. Para salvar as negociações diretas, retomadas em 2 de setembro, em Washington, após uma interrupção de 20 meses, a comunidade internacional, com Obama à frente, solicitou expressamente a Netanyahu a prorrogação da moratória. Em resposta, Israel se declarou “disposto a conseguir um compromisso”, mas repetiu que “não poderia haver construção zero” nas colônias.

Por sua vez, o presidente palestino, Mahmud Abbas, que conta com o apoio da Liga Árabe, rejeitou até agora qualquer solução que não garanta o cessar total da colonização. Abbas anunciou neste domingo, em Paris, onde está atualmente para encontro na segunda-feira com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que a Liga Árabe se reunirá por iniciativa sua, em 4 de outubro, para analisar a continuidade das negociações de paz. Israel deve “escolher entre a paz e a continuidade da colonização”, disse Abbas no sábado à ONU.

“Netanyahu sob pressão deve escolher entre Obama e as escavadeiras”, intitulou este domingo o jornal Maariv, enquanto o popular Yediot Aharonot questionou quem, entre Obama, Netanyahu e Abbas, será o primeiro a ceder. “Na verdade, nenhum deles, pelo menos imediatamente. O que vai se dissipar é a possibilidade, por mínima que tenha sido, de progredir para um acordo israelense-palestino”, avaliou o editorialista do Yediot.

(Com AFP)