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Colômbia: Farc confirmam sequestro de general com ameaças ao governo

Terroristas dizem que garantirão a integridade Rubén Alzate até onde a “ira estatal” permitir

Por Da Redação - 18 nov 2014, 15h26

Os terroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) confirmaram nesta terça-feira o sequestro do general Rubén Alzate com uma ameaça ao governo colombiano. “A integridade do refém será garantida até onde a ira estatal permitir”, afirmaram. Em outras palavras, os radicais afirmam que só manterão Alzate vivo se o Exército desistir de libertar o oficial com uma ação armada.

A revista Semana aponta que o país tem mais de 2.000 soldados, apoiados por helicópteros armados, no departamento de Chocó, onde ocorreu o sequestro. Também foram raptados o cabo Jorge Rodríguez Contreras e a advogada Gloria Urrego, coordenadora de Projetos Especiais do Exército.

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O presidente Juan Manuel Santos havia suspendido as conversas com os terroristas após um soldado que manejava o bote do general fugir para um vilarejo próximo e contar o ocorrido às autoridades. Mesmo assim, o chefe guerrilheiro Pastor Alape, um dos negociadores que se encontram em Havana para negociar um acordo de paz com o governo, chegou a dizer que não podia confirmar o sequestro de Alzate. Por meio de uma nota, no entanto, o braço terrorista Iván Ríos, que atua em Chocó, afirmou que os reféns foram capturados durante o exercício de suas tarefas de segurança.

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Para os terroristas, os militares foram feitos reféns “porque se tratam de funcionários do Exército inimigo, que se moviam no exercício de suas funções, em uma área de operação de guerra”. O comunicado segue em tom fantasioso e abusa de teorias da conspiração, dizendo que Alzate era o chefe de uma força tarefa conjunta cuja “estrutura foi desenhada pelos militares do Pentágono para a guerra direta contra o povo da Colômbia e a sua insurgência armada”.

Bogotá — Em um discurso, o presidente Juan Manuel Santos destacou que o rapto de Alzate colocará à prova o “compromisso” das Farc. “Conversar em meio ao conflito é a forma mais efetiva de colocar um fim a esta guerra absurda. A paz não é alcançada através do recrudescimento das ações violentas e de atos que minam a confiança”, declarou. Para Ariel Ávila, presidente da Fundação Paz e Reconciliação, o discurso de Santos mostra que o governo quer manter a negociação com os terroristas, mas que em termos políticos é necessário anunciar uma medida como a suspensão para não deixar o crime passar incólume à opinião pública. “Eles insistiram que o general é um prisioneiro de guerra e isso ampliará a má vontade do público”, afirmou.

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Não bastasse as novas complicações no processo de paz, Santos também terá de enfrentar uma oposição ainda mais ferrenha no país. O sequestro de Alzate expôs as fortes diferenças mantidas entre políticos da base aliada ao presidente e seus adversários, liderados pelo ex-mandatário e atual senador, Álvaro Uribe. Por meio de seu Twitter, Uribe criticou Santos por nivelar o Exército às Farc e entregar o país ao ‘castro-chavismo’, salientando que 639 militares e policiais foram mortos pelos guerrilheiros durante os diálogos de paz. “Santos permitiu que as Farc se sentassem em posição de igualdade com as Forças Armadas. Por isso os terroristas sequestram e dizem que se trata de uma detenção”, afirmou, segundo o jornal El País.

As negociações de paz tiveram início há dois anos, sem que as Farc se comprometessem a abandonar as armas ou abrissem mão de sequestrar policiais ou militares, considerados ‘prisioneiros de guerra’. Há poucos dias, a narcoguerrilha afirmou ter em seu poder dois soldados feitos reféns em meio a combates ocorridos no último dia 9.

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