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Colômbia entregou para o Brasil dados das Farc

Por Guilherme Amorozo - 27 jul 2008, 09h57

O governo colombiano entregou neste ano ao brasileiro uma série de informações sobre as conexões mantidas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Brasil. A iniciativa dá claros sinais de Bogotá enxerga no país um parceiro na luta contra os narcoguerrilheiros, embora o governo do PT se recuse a reconhecer oficialmente as Farc como a organização terrorista que realmente são. De acordo com Juan Manuel Santos, o ministro da Defesa por trás das operações contra os criminosos – que se intensificaram sobremaneira neste ano -, a Colômbia entregou os dados para que Brasília “possa reagir como considerar mais apropriado”.

Esta revelação foi feita pelo ministro em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada neste domingo. Segundo Santos, as conexões das Farc no Brasil são de dois tipos: ligações com o narcotráfico e relações políticas. O ministro afirma que traficantes daqui ‘certamente’ trabalham em parceria com traficantes colombianos. Essa conexão já é conhecida há muito tempo, e, aparentemente, segue existindo.

O que preocupa Bogotá, conforme disse o ministro, é o aspecto político das ligações das Farc no Brasil. Sem citar nomes ou grupos, Santos disse ao jornal paulista que o governo da Colômbia está ciente da existência de representantes das Farc no Brasil. Segundo ele, a Colômbia fez chegar esta informação ao governo brasileiro, ‘para ver se ele pode ter algum tipo de vigilância sobre esses supostos representantes das Farc’ no país.

Apesar da recusa do governo petista em tratar as Farc como terroristas, o ministro colombiano elogiou a postura do presidente Lula diante da questão. ‘Ficamos muito satisfeitos com a visita do presidente Lula’, disse ele, em referência à presença do governante brasileiro em uma das muitas marchas populares de repúdio às Farc ocorridas em toda a Colômbia no domingo passado. ‘Ele declarou que nenhum grupo deve buscar o poder por meio do conflito armado. É um sinal muito importante para as Farc’, comentou Santos.

Infiltrados – O ministro também disse na entrevista que o Exército colombiano possui alguns homens infiltrados nas fileiras das Farc – uma das estratégias que levaram ao enfraquecimento dos terroristas no últimos meses, sendo o golpe mais duro a libertação de Ingrid Betancourt. Ele relatou ainda que o governo conta com delatores de dentro do grupo, que ajudam o Exército a minar as forças da guerrilha.

De acordo com Santos, se as Farc ‘tiverem alguma sensatez’, esse é o melhor momento para que deponham suas armas, libertem seus reféns e tentem negociar alguma saída pacífica com o governo colombiano. Mas ele não parece esperar uma negociação de fato. ‘Eles estão debilitados, mas não derrotados. Ainda têm capacidade de reagir e seria um erro da nossa parte cair num falso triunfalismo’, alertou.

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