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Colômbia culpa ELN por atentado e suspende redes sociais da guerrilha

Polícia prende suspeito de cumplicidade no ataque a academia policial, em Bogotá, que matou 21 pessoas e feriu outras 68

Por Da Redação - Atualizado em 18 jan 2019, 21h52 - Publicado em 18 jan 2019, 21h32

O governo da Colômbia acusou nesta sexta-feira, 18, os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) pelo ataque com carro-bomba na Academia da Polícia Nacional em Bogotá, no dia anterior. A explosão causou 21 mortes, entre os quais a do autor do atentado, e 68 feridos.

O portal na internet do ELN foi suspenso, assim como os perfis no Twitter mais utilizados pelos guerrilheiros, incluindo o da delegação que negociava um acordo de paz com o governo colombiano.

A rede social também tirou do ar a conta do líder guerrilheiro conhecido como “Uriel”, que atua no departamento de Choco. Ele se apresenta como a “voz editorial” da Frente de Guerra Ocidental Omar Gómez, um grupo ligado ao ELN, e tinha ganhado muito protagonismo no Twitter nos últimos meses. No entanto, algumas contas vinculadas ao ELN seguem no ar.

“Um ato terrorista cometido pelo ELN matou essas vidas jovens”, afirmou o ministro da Defesa Guillermo Boetero, referindo-se aos cadetes de 17 a 22 anos de idade que estudavam na Escola de Oficiais General Francisco de Paula Santander, no sul da capital, e foram vítimas do atentado.

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As autoridades trabalham na identificação dos corpos e temem que o número de óbitos possa aumentar.

O autor do atentado foi identificado pelo Ministério Público como José Aldemar Rojas Rodríguez, colombiano de 55 anos de idade, que morreu no ataque. O ministro Boetero disse haver “evidências concretas” de que Rojas era membro do ELN há mais de 25 anos.

As autoridades colombianas prenderam na manhã desta sexta-feira 18 um homem que seria cúmplice de Rojas. Ele foi identificado como Ricardo Andrés Carvajal e, segundo áudios coletados pela procuradoria-geral do país.

“Este ato terrorista insano não ficará impune. Os colombianos nunca se submetem ao terrorismo, sempre o derrotamos. Esta não será a exceção”, disse o presidente Iván Duque, ao lado do procurador-geral, Néstor Humberto Martínez.

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Duas equatorianas estão entre as vítimas, a cadete Erika Chicó, que morreu, e Carolina Sanango, que sofreu ferimentos leves. Dois cadetes panamenhos ficaram feridos no atentado, informou o presidente panamenho, Juan Carlos Varela.

Rojas ingressou na Academia com uma SUV Nissan carregada com 80 quilos de explosivos. Na guarita, um cão farejador percebeu a presença de explosivo e deu alarme. Rojas acelerou o carro, atropelou dois cadetes e arremeteu contra a parede do alojamento feminino.

“Ouvi como se o céu tivesse caído na minha cabeça. Foi uma explosão muito grande e, quando saí, tinha muita fumaça”, disse Rocío Vargas, vizinha do local.

Este foi o pior ato de terror na capital colombiana desde fevereiro de 2003, quando os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) detonaram um carro-bomba no clube El Nogal. Trinta e seis pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

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Diante do ataque de quinta-feira 17, o presidente Duque precisou voltar às pressas para Bogotá, onde acompanhou as investigações e decretou três dias de luto nacional.

“Eu dei ordem às forças militares e à polícia nacional para mobilizar todas as suas capacidades de Inteligência e determinar, em coordenação com o Ministério Público, quem é responsável por este ataque covarde e impedir qualquer ação criminosa”, disse. “Nunca vamos ceder a atos de terror, a Colômbia é firme e não se intimida”.

Duque, que assumiu o cargo em agosto de 2018, tem endurecido a política de combate às drogas no país, maior produtor de cocaína do mundo, e estabeleceu condições para reavivar as negociações de paz com o ELN, a última guerrilha ativa no país.

No passado, o ELN admitiu ataques com explosivos contra a polícia. Mas, na Colômbia, continuam a a operar  gangues de narcotráfico de origem paramilitar e dissidências das Farc, que lutam pelo controle territorial. Em meio a uma espiral de violência seletiva contra líderes sociais, as guerrilhas causaram 438 mortes desde janeiro de 2016.

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Há um ano, a polícia também foi alvo de um ataque a bomba dentro de uma delegacia em Barranquilla. Seis militares morreram e 40 ficaram feridos. Dias depois, o ELN, cuja delegação estava em Havana para as negociações de paz, assumiu a ação.

Solidariedade

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu nesta sexta-feira que os responsáveis pelo atentado sejam levados à Justiça. “As autoridades colombianas indicaram que têm provas de que este ato terrorista foi cometido pelo ELN. Os responsáveis têm que ser levados à Justiça”, afirmou em nota o porta-voz da Secretaria-Geral da ONU, Stéphane Dujarric.

Guterres recebeu uma ligação de Iván Duque, que comentou ter “provas claras” de que (o atentado) foi feito pelo ELN, o que é totalmente inaceitável”. O secretário-geral da ONU afirmou que a Colômbia ainda precisa percorrer um longo caminho, com “dificuldades e problemas” para implementar a paz. No entanto, ressaltou que tem confiança nos colombianos e na determinação do país em avançar.

Dos Estados Unidos à Venezuela – com o qual Bogotá congelou as relações – muitos países e organizações expressaram solidariedade à Colômbia e condenaram o atentado, entre os quais o Brasil. Ex-guerrilha, o partido Farc (agora, sigla de Força Alternativa Revolucionária do Comum) expressou sua indignação com o ato.

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O papa Francisco também condenou o “cruel” atentado, de acordo com um telegrama divulgado nesta sexta-feira pelo Vaticano. Na mensagem dirigida ao cardeal Rubén Salazar, arcebispo de Bogotá, o papa expressou “seu mais profundo pesar pelas vítimas que perderam a vida em uma ação tão desumana” e condenou a  “violência cega”.

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