Colômbia corre contra o tempo em busca por sobreviventes de terremoto que matou 169
Quase 500 ficaram feridos e dezenas de construções desabaram, deixando gente presa sob escombros; Espriella, presidente recém-empossado, declara emergência
Socorristas e voluntários na Colômbia estão em uma corrida contra o tempo nesta terça-feira, 11, para encontrar sobreviventes do terremoto mais forte da última década, que deixou até agora 169 mortos, 668 feridos e dezenas de construções colapsadas. O abalo de magnitude 7,4 afetou as principais cidades do oeste do país, levando milhares de pessoas às ruas enquanto prédios desabavam ou sofriam graves danos. A dimensão da emergência tem um impacto urbano marcante: 97,6% das vítimas fatais, até o momento, estão concentradas em quatro capitais.
A maior parte da cidade de Pereira, a mais afetada, está sem energia elétrica, enquanto dezenas de voluntários procuram com lanternas sinais de vida sob as ruínas dos prédios, em meio aos 47 tremores secundários registrados pela autoridade geológica colombiana.
“É muito angustiante, não tenho palavras para tudo o que está acontecendo neste momento. Estamos tentando retirar os escombros porque aqui ficavam todos os vendedores de loteria”, disse à agência de notícias AFP Juana Marín, 25 anos, diante da principal praça da cidade. “Eu me sinto derrotada. É triste demais ver a cidade inteira assim, sabendo que ainda há gente com vida”, acrescentou.
Pereira registrou pelo menos 66 mortos, segundo o balanço mais recente da Associação Colombiana de Cidades Capitais, e houve danos na infraestrutura de saúde, interrupções no Aeroporto Matecaña e dificuldades nas comunicações. O sismo revive a tragédia do forte terremoto de 1999, que deixou quase 1. 200 mortos na região.
O presidente Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo há apenas três dias, declarou estado de emergência e se comprometeu a realizar uma operação de resgate coordenada.
Sinais de vida
O epicentro foi registrado perto de San José del Palmar, em Chocó, uma região pobre no oeste colombiano que até o momento reportou 13 mortos, enquanto avançam os trabalhos de resgate. “Eu vi pessoas saírem nuas, pessoas se jogavam de suas casas, desesperadas”, disse Wilmer Cuesta, estudante de direito que viu o desastre e decidiu auxiliar no resgate. As cidades de Quibdó e Manizales registraram nove e cinco mortos, respectivamente.
Em Cali, a terceira cidade da Colômbia e uma das mais afetadas, com 85 mortos, socorristas removem os escombros com as próprias mãos em busca de sinais de vida.
“Chegar aqui foi impressionante, parecia o fim do mundo, os carros e as motos na contramão, buscando entes queridos”, disse à AFP o socorrista Nelson Moreno, que chegou para tentar resgatar uma amiga sob dois prédios de cinco andares colapsados. O pai dela e o bebê da mulher estão feridos, mas saíram com vida.
Os socorristas montam correntes humanas para tirar os destroços do edifício, com picaretas e ferramentas básicas. A cada tanto, gritam “silêncio” para poder ouvir os sinais de vida dos soterrados.
Segundo o balanço mais recente do presidente, além das vítimas, há 165 prédios colapsados, ao menos 18 centros de saúde avariados e 52 instituições de educação afetadas. Apenas em Cali, 188 pessoas são consideradas desaparecidas. Seis aeroportos sofreram problemas em suas infraestruturas e ficaram inoperantes para voos comerciais.
Ajuda internacional
Os Estados Unidos, aliados do novo governo direitista de Espriella, ofereceram uma ajuda de US$ 15,5 milhões (cerca de R$ 80 milhões) para lidar com a emergência.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco pôs à disposição seu serviço de satélite Copernicus para as operações de resgate.
Israel, México, Chile, Argentina e El Salvador também ofereceram ajuda, bem como o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disse estar de prontidão para prestar assistência.
Em Bogotá, prédios foram esvaziados e centenas de pessoas foram às ruas em meio ao ruído das sirenes. Apesar do alarme, o prefeito Carlos Galán assegurou que na capital só foram registradas rachaduras superficiais em algumas casas e prédios.
O futebol também foi afetado. Os jogos previstos para esta semana foram adiados após o terremoto, assim como as partidas das Copas Libertadores e Sul-Americana previstas para a Colômbia.
A estrela pop Shakira, natural de Barranquilla, escreveu uma mensagem no X (ex-Twitter): “Meu coração está com as famílias que estão passando momentos de angústia”.
O terremoto foi sentido inclusive em países vizinhos, como em algumas regiões da Venezuela, na capital equatoriana, Quito, e em diversas províncias do Panamá. Ele veio pouco mais de um mês depois de um sismo duplo, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixar mais de 6 mil mortos e um rastro de destruição em solo venezuelano.







