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Coletes amarelos voltam às ruas da França para desafiar governo

Esta é a primeira mobilização de 2019; governo se prepara para debater as reivindicações do movimento em meados de janeiro

Por Da Redação - Atualizado em 5 jan 2019, 13h51 - Publicado em 5 jan 2019, 13h42

Os coletes amarelos realizam neste sábado, 5, seu oitavo dia de protestos na França para dar um novo impulso ao movimento, apesar das denúncias do governo de que só restam poucos manifestantes, em sua maioria radicalizados.

Desde as primeiras horas da manhã, manifestantes organizaram bloqueios em diferentes pontos da rede viária do país, informou o Centro Nacional de Informação Vial (Bison Futé) em seu site.

Mais de 4.000 agentes antidistúrbios foram desdobrados hoje por todo o território francês para fazer frente a possíveis incidentes durante esta oitava jornada de protestos.

Esta é a primeira mobilização de 2019, apesar das concessões do Executivo, que se prepara para debater as reivindicações do movimento em meados de janeiro.

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Houve concentrações pela manhã em diferentes cidades. Em Paris, entre 1.200 e 1.500 pessoas, caminharam pela Champs-Elysées em direção à Prefeitura. No meio da tarde, de acordo com uma fonte da polícia, havia quase 4.000 pessoas se dirigindo à Assembleia Nacional.

No cais do rio Sena, manifestantes lançaram projéteis contra os agentes, que responderam com gás lacrimogêneo.

Já em Rouen, no noroeste do país, onde entre 1.000 e 2.000 pessoas protestavam, um manifestante foi atingido na cabeça por uma bala de borracha e ao menos duas pessoas foram detidas.

Em Marselha, cerca de 500 coletes amarelos marcharam no centro da cidade, enquanto entre 1.000 a 2.000 pessoas estavam reunidas em Caen (noroeste).

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Em Saint-Nazaire (oeste), cerca de 150 bloqueavam a ponte de Saint-Nazaire. A situação era mais tensa em Beauvais (norte), onde a polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo para impedir que cerca de 600 coletes amarelos entrassem na cidade depois de tentar bloquear o aeroporto.

Um dos desafios do movimento, que gerou a maior crise social desde que começou em maio de 2017 o mandato do presidente francês, Emmanuel Macron, é mostrar sua capacidade para levar gente às ruas.

Nas últimas semanas, houve uma grande diminuição no número de pessoas nas ruas. Em 29 de dezembro as autoridades contabilizaram 12.000 manifestantes em toda França e 38.600 no dia 22, muito longe dos 282.000 de 17 de novembro.

O porta-voz do governo, Benjamin Griveaux, desqualificou ontem os que seguem participando das ações dos coletes amarelos ao qualificá-los como “agitadores que querem a insurreição e derrubar o governo” e Macron.

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O ministro do Interior, Christophe Castaner, instou os prefeitos a continuar evacuando, usando a força, se necessário, os “cem pontos de bloqueios” que ainda existem nas estradas francesas.

O movimento teve início contra o aumento dos preços dos combustíveis, antes de se tornar mais amplo com reivindicações contra a política social e fiscal do governo.

Enfraquecido por estes protestos sem precedentes, Macron, anunciou em 10 de dezembro uma série de medidas, como o aumento de 100 euros no salário mínimo e prometeu, em um discurso em 31 de dezembro, um retorno à “ordem Republicana”.

Mas as vozes críticas estão longe de se calarem. “A raiva vai se transformar em ódio se você continuar no seu pedestal, você e aqueles que como você consideram o povo como mendigos, desdentados”, declarou o coletivo dos coletes amarelos chamado “França em cólera” em carta aberta ao presidente e divulgada na quinta-feira 3 à noite.

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Desde o início do movimento, mais de 1.500 pessoas ficaram feridas, 53 delas gravemente, entre os manifestantes, e quase 1.100 entre as forças de segurança. Além disso, dez pessoas morreram, principalmente em acidentes nos bloqueios de estradas.

(Com AFP e EFE)

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