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Colecionador francês compra testamento de Napoleão por 506 mil dólares

Registro de seus últimos desejos foi escrito por um ajudante de campo. Lance vencedor é mais que o triplo do valor inicialmente estimado, de 162 mil dólares

Por Da Redação - 7 nov 2013, 16h29

Uma cópia histórica do testamento de Napoleão Bonaparte, feita dezenove dias antes de sua morte por um ajudante de campo, foi leiloada na quarta-feira, em Paris, por 506 mil dólares (cerca de 1,1 milhão de reais). Segundo os responsáveis pela venda, o comprador do documento, que registra os últimos desejos de Napoleão, é francês. Uma disputa com colecionadores provenientes do Japão, Rússia e Estados Unidos fez com que o lance vencedor ultrapassasse com folga o valor estimado da carta, de 108 mil a 162 mil dólares, segundo a casa de leilões Artemisia Auctions.

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O documento, composto por dois maços de papel, foi escrito em 16 de abril de 1821. A carta original está guardada nos Arquivos Nacionais da França. Nela, exilado na ilha de Santa Helena, Napoleão expressava o desejo de ter as suas cinzas jogadas por toda a extensão do rio Sena, em Paris. Então com 51 anos, ele teria admitido a um amigo que estava escrevendo o testamento porque sabia da proximidade da morte. “Meu filho, já é tempo de eu ir. Eu sinto isso”, teria dito.

Os papéis pertenciam aos herdeiros do conde de Montholon, o ajudante de campo de Napoleão que redigiu o documento. Os ingleses expropriaram a versão original do testamento, mas os últimos desejos do imperador chegaram à França justamente através da cópia leiloada, que passou despercebida pelos carcereiros. O governo francês só conseguiu reaver a carta original treze anos após a morte de Napoleão.

Além de relatar os últimos desejos do imperador, o testamento também deixava evidente a modesta situação financeira na qual Napoleão se encontrava após a derrota para os britânicos na Batalha de Waterloo, em 1815. Ao pedir para repartir os seus bens entre amigos próximos que moravam na ilha de Santa Helena, Napoleão citava apenas algumas joias, esculturas, louças de porcelana e uma pintura. “Ele tinha uma vida muito modesta. Possivelmente, não tinha nada de valor”, afirmou Pierre Gheno, um especialista na vida do imperador.

O pedido feito por Napoleão no testamento não foi atendido pelo rei Luís XVIII, que assumiu o governo depois da queda do imperador e temia a volta do bonapartismo. Por esse motivo, as cinzas foram levadas ao Museu dos Inválidos, em Paris, no ano de 1840, quase duas décadas após a sua morte.

(Com agência EFE)

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