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CNA lidera apuração nas eleições da África do Sul

Partido de Nelson Mandela deve manter sua hegemonia política no país

Por Da Redação - 8 maio 2014, 19h28

Resultados parciais das eleições gerais na África do Sul confirmam o que era esperado: uma vitória fácil do governista Congresso Nacional Africano (CNA). O partido que chegou ao poder duas décadas atrás sob a liderança de Nelson Mandela tem 63% dos votos, com 85% dos distritos eleitorais apurados, segundo a Comissão Eleitoral Independente. No entanto, o percentual ainda está um pouco abaixo da meta estabelecida pelo presidente Jacob Zuma de alcançar maioria de dois terços no pleito.

Em segundo lugar está o principal partido da oposição, a Aliança Democrática, com cerca de 22% dos votos. De qualquer forma, a legenda, ainda tida como um bastião de brancos liberais, já conseguiu um significativo crescimento em relação aos 17% conseguidos em 2009.

Esta é a quinta eleição democrática e não racial da história do país, e as primeiras após a morte do pai da democracia sul-africana, o ex-presidente Nelson Mandela.

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A vitória da CNA sempre foi tida como certa, mas as lideranças do partido temia um resultado tímido, que colocaria em risco a popularidade de Zuma, envolvido em acusações de corrupção e que comanda um governo que não está conseguindo combater o baixo crescimento econômico e a alta taxa de desemprego, na casa dos 25%. Nesta quinta, representantes da legenda comemoraram os resultados em declarações transmitidas pelas redes de televisão.

A terceira força mais votada, com 5,4% dos votos, é o recém-criado Economic Freedom Fighters (EFF), liderado pelo ex-líder da ala jovem do CNA Julius Malema (foi expulso do partido em 2012), que prega a nacionalização das minas e a redistribuição da terra.

Mais de 70% dos 25 milhões de sul-africanos registrados para a votação participaram do processo nesta quarta-feira.

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Divisão – Segundo estimativas da emissora pública SABC, o CNA ficaria com 260 das 400 cadeiras do novo parlamento, quatro a menos do que na última legislatura. A Aliança Democrática seria a maior beneficiada, passando de 22 para 89 deputados. O EFF obteria 21 cadeiras, enquanto os partidos das minorias zulu e afrikaner, o Inkhata e o Partido Nacional da Liberdade, ocupariam nove e seis assentos, respectivamente.

Além de definir a composição do Parlamento, os sul-africanos votaram também para as assembleias das nove províncias do país. Segundo os resultados parciais, a Aliança Democrática deve vencer novamente na província de Cabo Ocidental (cuja capital é Cidade do Cabo), com cerca de 60% dos votos, o que levaria a chefe do partido, Helen Zille, a seguir governando no estado. As demais regiões devem continuar sob o controle do CNA, que manteria a maioria absoluta em Gauteng – motor econômico do país e onde se localizam Johannesburgo e Pretória.

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(Com agências EFE e Reuters)

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