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Classe política espanhola avalia contribuição de Fraga à transição

Madri, 16 jan (EFE).- A classe política espanhola avaliou nesta segunda-feira a contribuição do falecido líder conservador Manuel Fraga, presidente fundador do Partido Popular (PP), à frente da direita durante a transição à democracia na Espanha após a ditadura de Francisco Franco.

O governo regional da Galícia declarou nesta segunda três dias de luto oficial pela morte do veterano político, que presidiu a comunidade autônoma do norte da Espanha durante 16 anos (1989-2005).

Fraga, de 89 anos, morreu no domingo à noite em sua casa em Madri.

O político conservador foi uma figura de destaque na história recente espanhola, na qual interveio diretamente desde a ditadura do general Francisco Franco (1939-1975), na transição e na etapa da democracia.

Os reis Juan Carlos I e Sofía e os príncipes de Astúrias enviaram telegramas de condolências à família de Fraga, nos quais destacam sua condição de ‘grande servidor do Estado’, seu trabalho na transição à democracia, sua lealdade à Espanha, sua formação intelectual e seu carinho pela Galícia.

Para o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, que também é presidente do PP, Manuel Fraga foi um dos maiores políticos do século.

Rajoy visitou nesta segunda, ao lado da ‘número dois’ do PP, María Dolores de Cospedal, o local onde foi instalada a câmara ardente do político, que será sepultado na localidade de Perbes, na Galícia.

Em declarações aos jornalistas, Rajoy destacou a trajetória acadêmica, profissional e política do presidente fundador do Partido Popular, que qualificou como ‘homem fundamental da transição espanhola’.

O ex-chefe do Executivo espanhol e presidente de honra do PP, José María Aznar, também elogiou o político galego, afirmando que ‘a história democrática não pode ser contada sem a de Fraga’.

O ex-primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), José Luis Rodríguez Zapatero, destacou a contribuição do político conservador à consolidação da democracia espanhola.

Zapatero enviou um telegrama de pêsames à família de Fraga no qual expressa seu reconhecimento e o respeito que merece ‘uma trajetória tão definida pelo serviço público como a sua e tão importante também para a consolidação da democracia espanhola’.

O presidente do governo regional da Galícia, Alberto Núñez Feijóo, que sucedeu Fraga à frente do PP galego em 2006, ressaltou seu papel político na modernização da Galícia.

‘Nossa Galícia não pode ser entendida sem Fraga. Além das conquistas nos 16 anos que governou, ele nos legou algo muito mais importante: que a Galícia acreditasse em si mesma’, apontou.

Santiago Carrillo, o histórico dirigente do Partido Comunista Espanhol, considerou nesta segunda, em declarações à emissora de rádio ‘Ser’, que a história e vida de Fraga ‘são muito contraditórias’ e que embora tenha tido ‘certa capacidade de se adaptar aos tempos’, no começo de sua carreira política foi ‘muito de direita, autoritário’.

Por outro lado, Carrillo lembrou que Fraga se arriscou em 1978 ao aceitar apresentar uma conferência do líder comunista em um momento no qual ‘era muito mal visto’. EFE