Cinquenta mortos e 145 desaparecidos em avalanche no nordeste do Afeganistão

Por Joel Saget - 10 mar 2012, 13h53

Cerca de 50 pessoas morreram e 145 são consideradas desaparecidas, “supostamente mortas”, em uma avalanche no nordeste do Afeganistão, submetido a um inverno excepcionalmente duro, anunciou a ONU neste sábado.

“Esta tragédia é provavelmente a maior de uma longa série em um futuro próximo. As fortes quedas de neve não causarão apenas avalanches, mas também, em algumas semanas, inundações severas em diversos lugares do país”, comentou Michael Keating, coordenador humanitário da ONU, em um comunicado.

A avalanche, provocada por um aumento da temperatura após dias de nevascas, cobriu a pequena localidade de Dispay, na província montanhosa do Badakhstão, onde vivem 199 pessoas, segundo a Escritório de Coordenação Humanitária para o Afeganistão (OCHA, em inglês).

Um porta-voz do governo local indicou à AFP que 56 pessoas desapareceram na avalanche, que ocorreu, segundo ele, na segunda-feira.

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Na quarta-feira, as autoridades haviam anunciado um registro provisório de 42 vítimas.

O inverno de 2012 é o mais forte enfrentado pelo Afeganistão em cerca de quinze anos. Mais de 90 mortes ligadas às condições climáticas foram registradas apenas no Badakhstão, de acordo com uma contagem da AFP, incluindo 35 crianças mortas com pneumonia em dois dias no final de fevereiro.

A fundação Aga Khan, o Programa Alimentar da ONU e a embaixada dos Estados Unidos distribuíram comida às famílias afetadas pela tragédia.

A organização não-governamental IOM indicou em um comunicado ter enviado 120 kits de emergência aos sobreviventes, incluindo roupas, cobertores, botas e material de higiene, assim como ferramentas e barracas.

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Apesar dos milhões distribuídos todo ano em ajuda internacional, o Afeganistão, devastado por 30 anos de guerra, ainda é um dos países mais pobres do mundo.

Neste cenário, o “acesso à cidade de Dispay é possível apenas pelo país vizinho, o Tadjiquistão”, informou a agência de ajuda da ONU. “O acesso por helicóptero já não pode ser feito devido ao risco de novas avalanches”, acrescentou a entidade.

O chefe do Conselho Provincial na área do desastre, Zabiullah Atiq, disse à AFP que “moradores das localidades vizinhas e agentes da polícia tentam partir em busca de possíveis sobreviventes, mas as equipes de socorro até agora não foram capazes de chegar à região”.

As autoridades agora devem se preparar para as inundações que certamente ocorrerão com toda a neve, gerando um cenário ainda mais desfavorável.

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“Todos os esforços foram feitos para minimizar o número de vidas perdidas, e isso inclui a manutenção do estado de alerta e a distribuição de alimentos, abrigos e medicamentos, a troca de informações e a coordenação” de equipes de socorro, disse Keating.

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