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Cinegrafista libanês morre atingido ‘por disparos do Exército sírio’

Por Anwar Amro - 9 abr 2012, 13h05

A rede de televisão Al-Jadeed acusou o Exército sírio de ter matado um cinegrafista libanês nesta segunda-feira na fronteira com a Síria enquanto fazia uma reportagem.

“O cinegrafista da rede Al-Jadeed, Ali Shaaban, morreu atingido por disparos do Exército sírio contra o carro da Al-Jadeed”, indicava esta televisão privada libanesa.

O repórter Hussein Jreis, que estava com o cinegrafista no momento do incidente, assegurou ao vivo que “os disparos vinham de território sírio”.

“Cumprimentamos os guardas fronteiriços sírios, e pouco depois ouvimos tiros pesados”, indicou, acrescentando que Ali Shaaban, de 32 anos, não conseguiu sair do carro, no qual morreu.

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O Líbano faz fronteira com a região síria de Homs, um dos redutos da rebelião contra o regime e palco de bombardeios intensos e combates entre soldados e desertores.

É a primeira vez que um jornalista morre na fronteira entre os dois países desde o início da rebelião na Síria contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

A Síria também colocou minas nesta fronteira para impedir a entrada de armas e de combatentes rebeldes.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, condenou o ataque e pediu a Damasco uma investigação.

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“Condenamos os disparos do lado sírio contra uma equipe de jornalistas libaneses (…) Informaremos à parte síria que condenamos este ato inaceitável e exigimos uma investigação sobre esta agressão”, indicou em um comunicado o primeiro-ministro.

O governo de Mikati é dominado pelo Hezbollah, partido xiita aliado do regime sírio.

O chefe da oposição, hostil ao regime de Damasco, o ex-primeiro-ministro Saad Hariri, denunciou um “ataque abominável das Forças Armadas sírias” contra a imprensa, fato que classificou de “ataque à soberania do Líbano”.

Também nesta segunda-feira, ao menos 35 civis, em sua maioria crianças e mulheres, morreram nos bombardeios do Exército sírio contra a cidade de Latama, na província de Hama, no centro da Síria, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

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“Trinta e cinco pessoas morreram nos bombardeios, entre elas 15 crianças e menores de 18 anos, assim como oito mulheres. Ainda há pessoas sob os escombros”, afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, presidente do OSDH, que também informou sobre dezenas de feridos.

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