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Cidadãos latino-americanos almejam inclusão social e proteção

Por Da Redação 4 dez 2011, 12h55

Manuel Fuentes.

Santiago do Chile, 4 dez (EFE).- Os cidadãos latino-americanos atualmente desejam ter mais mobilidade social, maior inclusão e proteção, declara em entrevista à Agência Efe a secretária-executiva da Secretaria Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena.

‘Eu acho que esta é uma reivindicação válida, já que a região possui espaço para avançar neste aspecto’, acrescenta Alicia. No entanto, a Cepal ‘não avaliou em profundidade’ se as políticas para ajudar a superação da pobreza da sociedade podem contribuir para reduzir a violência e a instabilidade social em alguns países.

O fato é que a América Latina ainda possui 177 milhões de pobres, dos quais 70 milhões são considerados indigentes. Esses números evidenciam que ‘existe zonas de pobreza extrema que temos que atender ‘, exalta a secretária-executiva da Cepal.

No último ano, a América Latina, um subcontinente de 577 milhões de habitantes, reduziu em sete milhões o número de pobres, dos quais três milhões se encontravam na indigência, segundo o Panorama Social 2011 que foi apresentado pela Cepal nesta semana no Chile.

Segundo Alicia Bárcena, essa ‘evolução’ é fundamentalmente uma consequência dos investimentos, da criação de emprego e das transferências de recursos públicos em países como a Argentina, Brasil, Chile e Uruguai.

‘Em geral, a região não está mal. O desemprego neste ano é de 7,1%, e no ano passado era de 7,3%. Quando explodiu a crise mundial, em 2008, a média de desemprego foi de 8,2%’, explica Alicia. ‘Os Governos latino-americanos investiram de forma muito importante para atender à população mais pobre’, completa.

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Apesar de saber que os planos para fazer frente à crise funcionaram, Alicia acredita que ‘a solução definitiva é a criação de emprego formal, algo realmente produtivo’.

Com um crescimento de 4,4% neste ano, a economia latino-americana segue apresentando mostras de vigor. Porém, este panorama poderia começar a mudar a partir do ano que vem. ‘Este ano vamos seguir crescendo. Mas, no próximo, podemos começar a sentir algumas dificuldades’, admite.

‘A política de redistribuição de renda é extremamente importante neste aspecto, algo que atende diretamente as famílias mais pobres’, sustenta a secretária-executiva da Cepal.

A luta contra a pobreza marca diferenças notáveis entre os países latino-americanos. De um lado estão os países caribenhos e centro-americanos, mais atrasados, e, do outro, o resto da região.

Além do Brasil, Argentina e Chile também há países como a Venezuela, que fez um enorme esforço para diminuir a pobreza e a indigência; Peru que no período entre 2002 e 2010 passou de 54,7% para 31,3% e a Bolívia, de 62,4% para 54%.

‘A América Central continua tendo uma tarefa muito difícil’, reconhece Alicia, que enfatiza que ‘a América Latina não é a região mais pobre do mundo, porém, possui a pior distribuição de renda’. Quando a região sairá desta situação ‘é uma pergunta muito complexa’, mas a Cepal busca maneiras para ‘superar esse desafio’, assinala Alicia.

O aumento do gasto público, as transferências não contributivas e políticas de criação de emprego e proteção social são alguns dos avanços mais relevantes e nos quais os Governos, segundo Alicia Bárcena, devem perseverar. EFE

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