CIA duvidou de ameaça iraniana antes de Trump trocar de avião na Turquia, diz jornal
A informação de inteligência veio de Israel, segundo o 'Washington Post', e foi considerada de baixa confiabilidade
A CIA tinha “pouca confiança” na informação de que Donald Trump poderia ser alvo de um ataque iraniano ao deixar uma cúpula em Ancara, Turquia, informou o jornal The Washington Post nesta quinta-feira, 13, depois de revelar que o presidente dos Estados Unidos trocou de avião no aeroporto turco em uma operação secreta para garantir sua segurança.
Nesta semana, Trump confirmou ter sido retirado às escondidas do Air Force One em um caminhão do serviço de bordo para deixar a Turquia após uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ele teria saído do avião presidencial pousado em Ancara no dia 8 de julho, onde deixou para trás 100 jornalistas, assessores e autoridades da Casa Branca (entre eles o secretário de Estado Marco Rubio), enquanto sua equipe de segurança colocava em prática um plano para contornar uma suposta ameaça de assassinato.
Segundo o Post, a informação de inteligência sobre a suposta ameaça veio de Israel. Autoridades americanas ouvidas pelo jornal afirmaram, em condição de anonimato, que os analistas da CIA não consideraram o dado convincente. Uma das fontes que falou com o jornal disse que a averiguação teve “origem israelense, não gerada pelos Estados Unidos, e considerada de baixa confiabilidade”.
Em paralelo, outra afirmou que a operação de troca de avião ocorreu mesmo assim porque “o Serviço Secreto já teve três incidentes de quase risco com este presidente, por isso não estão correndo riscos”, em aparente referência às tentativas de assassinato contra Trump ao longo de sua campanha presidencial em 2024 e ao ataque a tiros em um evento da Casa Branca em abril.
Uma ex-autoridade da CIA foi citada pelo Post dizendo que o incidente “se encaixa em um padrão de relatórios de inteligência israelense concebidos tanto para informar o presidente dos Estados Unidos, quanto para moldar a tomada de decisões”.
O Wall Street Journal, outro jornal americano, reportou que a informação repassada por Israel indicava que o Irã planejava usar mísseis portáteis terra-ar para derrubar o avião presidencial Air Force One. Já o New York Times apurou que a inteligência dos Estados Unidos dispunha de múltiplas fontes sobre os planos de ataque, não apenas a israelense, e chegou a receber um relato sobre uma pessoa que portava um míssil portátil na região onde ocorreu a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Ainda segundo a reportagem do NYT, os iranianos haviam identificado a localização exata de Trump em Ancara, chegando ao ponto de saber o andar específico do hotel onde ele estava hospedado.
Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, James Jeffrey, ex-diplomata e autoridade de segurança nacional do governo George W. Bush, hoje pesquisador do think tank pró-Israel Washington Institute, avaliou que o sigilo em torno da operação de troca de avião indica que as informações de inteligência seriam “sérias”. Ele concordou que o governo israelense não busca “apenas informar, mas influenciar” a política dos Estados Unidos, mas descartou a possibilidade de que a ameaça teria sido inventada. “Eles não brincariam com algo tão sério quanto a segurança do presidente”, disse Jeffrey.
O regime dos aiatolás tem prometido publicamente assassinar Trump desde que os Estados Unidos mataram o general iraniano Qassem Soleimani, durante o primeiro mandato do republicano, em 2020. Mais recentemente, apelos por sua morte ganharam destaque no funeral do falecido líder supremo Ali Khamenei, que perdeu a vida nos bombardeios de Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que deram início à guerra.







