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Chuvas e enchentes transformam Bogotá na ‘Veneza colombiana’

Por Da Redação 13 dez 2011, 09h47

Ana Gómez.

Bogotá, 13 dez (EFE).- O transbordamento do rio Bogotá por causa de fortes chuvas deixou um panorama tão desolador em alguns bairros da capital colombiana que seus habitantes, em desespero, recorrem a barcos artesanais para se deslocar e tentar encontrar familiares e salvar pertences.

Algumas ruas se parecem mais com canais de Veneza, com a água chegando a um metro de altura. Por elas circulam embarcações caseiras construídas com tábuas e bóias.

Há dias os habitantes da localidade de Bosa não podem abrir as portas de suas casas sem que uma corrente de água preta e fétida entre, alagando tudo o que encontra.

O problema é pior para os residentes dos imóveis construídos às margens do rio Bogotá, que ‘constantemente precisam tirar a água de dentro das casas, mas ela sempre volta a entrar’, explicou à Agência Efe um dos moradores, César Montoya.

Ao contrário de Montoya, que decidiu ficar em casa mesmo sem poder cozinhar devido aos cortes de gás e energia elétrica, outros como Luz Estela Valencia optaram por acampar em um parque próximo, em um local mais alto.

‘Estamos aqui desde ontem à noite porque não podemos ficar em nossas casas, que estão inundadas por uma água fétida que bate até a cintura’, relatou.

Mesmo assim, os desabrigados precisam retornar às suas casas durante a noite, pois a situação atrai saques e ladrões.

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‘Duas pessoas foram pegas com uma lavadora de roupas. Ontem pegaram três ladrões aqui, um deles estava debaixo d’água’, disse Montoya, ao lembrar que um bandido foi surpreendido saltando de telhado em telhado e que há alguns que se disfarçam com uniformes da Defesa Civil’.

Outros moradores optaram por resgatar os móveis e utensílios e abandonar suas casas, como fez a família de Luís Alberto Barrios, que carregou os colchões, eletrodomésticos e móveis para outra casa que alugou longe do rio.

A rotina na região foi totalmente modificada, pois a maioria dos estabelecimentos comerciais foi fechada por quase uma semana, com exceção de algumas lojas que aproveitaram para vender máscaras e botas de borracha, itens imprescindíveis para esta situação de emergência.

Quem trabalha no centro de Bogotá, principalmente no setor de serviços, acorda com dois desafios: deixar as crianças em bons cuidados, pois elas estão em férias escolares, e disputar com os outros moradores um lugar nos transportes públicos ou nos ‘táxi-bicicletas’.

‘Precisamos que isto seja resolvido logo, queremos saber quando vão nos responder, quanto tempo vamos ficar aqui’, disse Valencia, que continua pagando as contas de sua casa, qualificada pelo governo como ‘de interesse social’ e com valor estimado de US$ 15 mil.

De acordo com dados do Fundo de Prevenção e Atenção de Emergência de Bogotá (Fopae), 45.196 pessoas ficaram desabrigadas em Bosa e na vizinha Cidade Kennedy, e mais de 500 veículos ficaram submersos.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e a prefeita de Bogotá, Clara López, visitaram a região na sexta-feira e anunciaram a entrega de US$ 777 a cada família afetada, assim como a isenção de impostos por prédios, negócios e automóveis até que seja calculado o prejuízo total.

No entanto, para algumas pessoas, essas ajudas não compensam o fato de terem perdido tudo. Elas consideram insuficientes as campanhas de vacinação e atendimento médico oferecidos nos hospitais de Bogotá a vítimas com quadros de ansiedade, pânico e problemas estomacais. EFE

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