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China proíbe concurso de beleza gay

Por Da Redação 15 jan 2010, 18h12

A polícia de Pequim impediu nesta sexta-feira a realização do primeiro concurso de beleza gay na China, no qual oito homens disputariam o título de Mr. Gay. O evento seria considerado um sinal de que a tolerância avança em um país em que a homossexualidade continua sendo objeto de censura.

“O evento foi cancelado, acho que por causa da questão da homossexualidade”, informou Wei Xiaogang, um dos membros do júri.

O vencedor do concurso de beleza gay representaria a China na competição mundial do Mr. Gay, que será realizada na Noruega no próximo mês.

“Se o vencedor for alguém viril, atraente e responsável, esta imagem vai ser boa para a sociedade”, chegou a comentar Jiang Bo, de 29 anos, um dos participantes, natural da província de Sichuan (sudoeste), antes de a competição ser proibida.

“Muita gente desconhece os homossexuais e acha que são homens afeminados. Isso não é verdade. Há muitos gays que são muito viris e tão responsáveis como os heterossexuais”, acrescentou.

A decisão de Jiang, membro da minoria étnica Tujia, foi um desafio pessoal, cujas consequências poderão ser importantes.

De fato, sua família não sabe ainda que ele é gay e ele esperava que os parentes não ficassem sabendo através de sua participação no concurso.

“Seria muito incômodo para toda minha família, que se sentiria desacreditada por ter um homossexual entre eles. Mas se descobrirem, não negarei. O destino decidirá”, afirmou Jiang.

Para Ben Zhang, organizador do Mr. Gay China, o objetivo do concurso era fazer com que todos que ainda não assumiram sua homossexualidade em público se sentissem melhor.

Apesar da vida dos gays ter melhorado nos últimos anos na China, principalmente nas grandes cidades, muitos deles continuam escondendo sua condição ou se casam por pressão de seus pais, uma situação agravada pela política chinesa do filho único.

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Segundo especialistas chineses citados pelos meios de comunicação, existem na China cerca de 20 milhões de homens e 10 milhões de mulheres homossexuais.

Na China, a homossexualidade era crime até 1997 e foi considerada enfermidade mental até 2001. Desde então, passou a ganhar visibilidade na sociedade.

Em junho passado, aconteceu em Xangai o primeiro festival do orgulho gay, de maneira discreta, e com alguns atos cancelados pelas autoridades.

No mês passado, o primeiro bar gay do país abriu suas portas em Dali (província de Yunnan, sudoeste), com o apoio do governo. O objetivo é promover os esforços de prevenção da aids.

Nesta semana, o respeito aos direitos gays registrou um novo avanço na China: o jornal oficial China Daily publicou na primeira página uma foto do primeiro casamento homossexual do país.

A união de Zeng Anquan, de 45 anos, e Pan Wenjie, de 27, aconteceu em 3 de janeiro em um bar gay da cidade de Chengdu (sudoeste). O casamento foi simbólico, já que a China não reconhece a união legal entre homossexuais.

“Já não temos de nos esconder. Este é o dia mais belo de minha vida”, afirmou Zeng Anquan ao jornal, acrescentando que milhares de homossexuais se casam todos os anos em outros países do mundo. “Por que não nós?”, questionou.

No entanto, os preconceitos persistem na China e as famílias dos noivos se negaram a assistir à cerimônia.

“Minha irmã me avisou que, se eu não abandonasse Pan, ela deixaria de me considerar irmão. Centenas de amigos e parentes me ligaram para dizer que se envergonhavam de mim”, contou Zeng.

(Com agência France-Presse)

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