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China e Rússia querem reforçar colaboração nas Nações Unidas

Por Mark Ralston 5 jun 2012, 17h10

O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega chinês Hu Jintao anunciaram nesta terça-feira em Pequim o seu compromisso de reforçar a colaboração entre seus dois países na ONU, no momento em que ambos são pressionados pelas nações ocidentais para condenar o governo de Bashar al-Assad na Síria.

“Estamos planejando aumentar a cooperação com as principais organizações internacionais, as Nações Unidas, o G20, os Brics e a Organização de Cooperação de Xangai (OCS)”, disse Putin em declarações à imprensa.

China e Rússia, dois membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, bloquearam sistematicamente nos últimos meses as iniciativas de condenação do governo de Bashar al-Assad na Síria.

Nos quase 15 meses desde que eclodiu a rebelião no país mais de 13.000 pessoas morreram, em sua maioria civis, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

“Na questão síria, China e Rússia estão em contato e em coordenação direta simultaneamente com Nova York (sede das Nações Unidas)”, disse nesta terça-feira Liu Weimin, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

“A posição das duas partes é clara para todos: a violência tem que parar imediatamente e o processo de diálogo político deve começar o quanto antes”, explicou o porta-voz.

“China e Rússia compartilham a mesma posição nestes pontos e as duas partes se opõem a uma intervenção estrangeira na situação síria e a uma mudança de governo pela força”, acrescentou.

Depois dessas declarações, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, instou Rússia e China a “contribuírem com uma solução” para o conflito na Síria.

“Acreditamos que é preciso seguir um caminho e estamos dispostos a segui-lo. Pedimos aos russos e aos chineses que contribuam para a solução”, declarou Hillary durante uma visita a Batumi, oeste da Geórgia.

Neste mesmo sentido, a Arábia Saudita, líder das monarquias árabes do Golfo, exortou nesta terça-feira a Rússia a parar de apoiar o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, e a apoiar uma transição política pacífica neste país mergulhado na violência.

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Putin está atualmente em Pequim, e esta visita que vai durar três dias também permitirá reforçar a cooperação econômica entre ambos os países, que já é muito ampla, sobretudo em matéria energética.

Na frente econômica, a cooperação entre ambas as potências se desenvolve, principalmente em hidrocarbonetos: a Rússia é a maior produtora mundial de petróleo e a China, a maior consumidora de energia.

Moscou e Pequim negociam há anos a assinatura de um contrato que prevê o fornecimento de 70 milhões de metros cúbicos de gás russo para a China por ano durante os próximos 30 anos.

Desde 2009, com a assinatura de um acordo marco, não houve avanços importantes, já que as negociações entre ambas as partes ficaram estagnadas devido a uma disputa em torno dos preços do gás. O vice-primeiro-ministro russo, Arkady Dvorkovich, disse recentemente que é pouco provável que seja firmado um acordo durante a visita.

A imprensa russa indica, por sua vez, que os dois países querem produzir aviões de longo alcance que possam competir com as gigantes Airbus e Boeing, y que um anúncio nesse sentido pode ser feito durante a visita de Putin a Pequim.

Rússia e China também anunciaram em abril a criação antes do final de junho de um fundo de investimentos comum, dotado de até 4 bilhões de dólares, destinado em particular ao desenvolvimento da agricultura e do transporte.

O presidente russo participará também na quarta e na quinta-feira da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), organização criada para contrabalançar a influência dos Estados Unidos na Ásia Central.

Nesta ocasião se reunirá com seu homólogo iraniano, Mahmud Ahmadineyad, no momento em que as tensões sobre o programa nuclear iraniano permanecem vivas.

A OCS reúne Rússia, China e quatro ex-repúblicas soviéticas, Cazaquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Quirguistão. O Irã é um dos quatro países com status de observador na OCS.

Depois de ter se negado a participar em meados de maio de uma cúpula do G8, e depois de outra da Otan, nos Estados Unidos, a decisão de Putin de participar en na da OCS tem um caráter simbólico.

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