China diz que relação com Irã ‘não será alvo de interferência’ após EUA anunciarem sanções
Pequim é a maior compradora do petróleo iraniano e governo Trump mira com 'guerra econômica' entidades que financiam Teerã direta e indiretamente
A China prometeu nesta terça-feira, 25, defender seus interesses após o governo do presidente Donald Trump anunciar planos para uma “asfixia econômica” do Irã, parceiro comercial de Pequim, por meio de sanções contra entidades que fazem comércio com a república islâmica.
“A cooperação entre China e Irã sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações”, declarou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em uma entrevista coletiva. “A China já afirmou em diversas ocasiões que se opõe de modo veemente às sanções unilaterais ilegais (…) A China tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses”.
‘Dia D econômico’
Quase seis meses após o início da guerra contra o Irã, os Estados Unidos anunciaram novas sanções àqueles que se recusarem a aderir à campanha de Washington para isolar a economia iraniana.
Na segunda-feira 24, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, declarou o “Dia D econômico” contra Teerã, que ameaça com punições econômicas uma lista com mais de 60 entidades, indivíduos e embarcações em todo o mundo, incluindo na China, que supostamente permitem que a república islâmica “desenvolva tecnologia nuclear e de mísseis”.
Bessent declarou ainda que o Tesouro iria “apertar o cerco” e adotar uma abordagem de “vazamento zero” para cortar as receitas que financiam a economia iraniana. Os países que permitirem que entidades “facilitem a lavagem de dinheiro em nome do Irã” serão “expulsos do sistema do dólar”, advertiu ele, acrescentando que “a contagem regressiva já havia começado”.
+ O que Trump quer com a ‘guerra econômica’ contra o Irã?
China na mira
Pequim é uma cliente importante do regime dos aiatolás — compra quase 90% das exportações de petróleo iraniano –, e tem sido afetada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa um quinto do combustível fóssil consumido no planeta e bloqueada pela Guarda Revolucionária Islâmica desde o início do conflito.
O país de Xi Jinping defende que ambos os lados cheguem a um acordo de cessar-fogo, ao passo que insiste que as sanções americanas não resolverão a guerra.
O Irã enfrenta embargos há décadas e tem utilizado uma complexa rede financeira internacional para contornar as restrições. Antes da guerra, a nação persa conseguia exportar milhões de barris de petróleo, principalmente para a China. Questionado na segunda-feira se os bancos chineses seriam afetados pelas medidas, Bessent respondeu que “ninguém está acima do alcance das sanções americanas”.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano, por sua vez, advertiu que os países que aderirem à campanha de “guerra econômica” contra a república islâmica promovida pelos Estados Unidos podem enfrentar “consequências”.
Já o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, declarou que o apoio de qualquer país às novas medidas econômicas dos Estados Unidos será considerado um “ato de guerra”. Ele também afirmou que o regime dará uma resposta “sísmica” a Trump.







