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China ajudará Bangladesh em repatriação de rohingyas por Mianmar

Bangladesh acolhe aproximadamente 915.000 rohingyas; ONU condena repressão à minoria e a classifica como genocídio

Por Da Redação - Atualizado em 29 jun 2018, 22h39 - Publicado em 29 jun 2018, 20h12

A China apoiará o processo de retorno dos rohingyas atualmente refugiados em Bangladesh até Mianmar, seu país natal, segundo foi anunciado nesta sexta-feira (29) após a reunião entre os ministros das Relações Exteriores chinês e bengalês.

O ministro chinês, Wang Yi, afirmou que a China “seguirá desempenhando um papel construtivo” depois do trabalho de mediação diplomática que esteve desenvolvendo no último ano.

O Ministério das Relações Exteriores do país também afirmou que a China “está disposta” a oferecer mais assistência aos rohingyas que permanecem refugiados em Bangladesh.

Wang, em declarações conjuntas ao lado do ministro bengalês Mahmoud Ali, afirmou que, com a ajuda da ONU, as condições para iniciar a repatriação estão “praticamente fechadas” e que acredita que o trabalho de preparação será concluído “o mais rápido possível”.

Ali destacou que Wang lhe garantiu que a China fornecerá ajuda para facilitar o retorno, segundo detalhou o Ministério de Relações Exteriores de Bangladesh em comunicado.

O ministro bengalês também disse a Wang que os rohingyas estão “tão traumatizados” que querem uma “garantia sólida de sua segurança antes de iniciarem o retorno”, e insistiu que os mesmos querem voltar “para suas populações originais, não para acampamentos”, por isso necessitam de oportunidades para ganharem a vida.

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Segundo dados da ONU, Bangladesh acolhe aproximadamente 915.000 rohingyas procedentes de Mianmar, entre eles cerca de 700.000 que chegaram desde 25 de agosto do ano passado.

A pressão internacional levou Mianmar e Bangladesh a assinarem um acordo em 23 de novembro de 2017 para a repatriação de integrantes da minoria rohingya. Segundo o pacto, os refugiados que chegaram a Bangladesh começariam a retornar em 23 de janeiro.

No entanto, sete meses depois da assinatura do acordo, o processo formal de repatriação ainda não começou.

A perseguição aos rohingyas em Mianmar é histórica, porém a crise se acentuou em meados de agosto, quando o Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) atacou postos das forças de segurança birmanesas. Em resposta, o Exército e polícia de Mianmar organizaram uma devastadora repressão.

A ONU chegou a afirmar, no ano passado, que a repressão sistemática e generalizada à qual o Exército birmanês submeteu os rohingyas tem “elementos de genocídio“.

(Com EFE)

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