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China acusa grupo islâmico de planejar ataque na Praça da Paz Celestial

Autoridade máxima em segurança do PC chinês envolveu na ação o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, considerado terrorista por ONU e EUA

Por Da Redação 1 nov 2013, 03h30

A principal autoridade em segurança da China acusou nesta sexta-feira o grupo separatista Movimento Islâmico do Turquestão Oriental de planejar o que o governo chinês considera um “ataque terrorista” ocorrido no início desta semana em Pequim. O incidente, inicialmente visto como acidente de trânsito, ocorreu na Praça da Paz Celestial. Cinco pessoas morreram e 38 ficaram feridas após um carro modelo jipe invadir a calçada e pegar fogo a poucos metros do retrato de Mao Tsé-tung existente na praça.

O grupo islâmico, classificado como terrorista pela Organização das Nações Unidas e pelos Estados Unidos, foi mencionado por Meng Jianzhu, chefe da comissão para assuntos políticos e legais do PC chinês, durante uma entrevista a uma emissora de TV de Hong Kong. “O violento incidente terrorista que ocorreu em Pequim foi uma ação planejada e organizada. Por trás dela está o grupo terrorista Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, baseado em regiões da Ásia central e ocidental”, afirmou Meng.

Na quarta-feira, cinco suspeitos de praticar o ataque foram detidos. As autoridades também confirmaram que dados do carro incendiado indicam que ele é da região noroeste de Xinjiang, de maioria muçulmana e habitada principalmente pela etnia separatista uigur.

Separatistas – Em julho de 2009, um confronto entre os uigures muçulmanos e os chineses da etnia majoritária, a han, causou mais de 200 mortos na capital regional, Urumqi. O governo chinês atribui esse fato e outros ocorridos na zona a grupos terroristas que buscam a criação de um país independente, Turquestão Oriental, em Xinjiang.

O Congresso Mundial Uigur, entidade que reúne os uigures no exílio, pediu cautela em relação às acusações e expressou seu temor de que esse incidente seja usado para desencadear uma conduta de maior repressão contra seu povo. “O governo chinês não hesitará em inventar uma versão do incidente em Pequim para instaurar uma maior repressão ao povo uigur”, disse a presidente da organização, Rebiya Kadeer.

Para analistas internacionais, a ligação do Movimento Islâmico do Turquestão Oriental com redes terroristas internacionais é limitada e a China costuma exagerar ameaças do grupo para justificar duras medidas de segurança na região que objetivam controlar dissidentes e levantes populares ocasionais.

(Com agência France-Presse)

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