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Chile substitui ‘ditadura’ por ‘regime’ em textos escolares

O Ministério da Educação do Chile mudou a expressão “ditadura militar” por “regime militar” para se referir à ditadura de Augusto Pinochet nos textos escolares, confirmou nesta quarta-feira o chefe dessa pasta, Haral Bayer.

A mudança foi proposta pelo Executivo e aprovada pelo Conselho Nacional de Educação em 9 de dezembro, apesar de ter sido divulgada apenas nesta quarta-feira à imprensa local.

O ministro da Educação, Haral Beyer – que assumiu há uma semana como segundo titular dessa pasta em cinco meses -, confirmou a mudança, explicando que se buscou usar uma “palavra mais geral” para se referir a esse período da história chilena, entre 1973 e 1990, explicou o ministro.

“Usa-se a palavra mais geral que é ‘regime militar'”, disse o ministro.

“As expressões são mais gerais… a de ‘regime militar’ que a de ‘ditadura'”, insistiu Beyer, explicando que a mudança não foi motivada por razões políticas.

“Isso não tem a ver com apoiadores nem detratores, tem a ver com expressões usadas habitualmente nesses currículos em diversas partes do mundo”, disse o ministro, que afirmou pessoalmente não ter problema em reconhecer que se tratou de um “regime ditatorial”.

A mudança se tornará efetiva tanto para os textos de línguas como de história, entre o primeiro e o sexto ano básico.

A direita chilena, que retornou ao poder após 20 anos com o presidente Sebastián Piñera, foi a sustentação ideológica da ditadura de Augusto Pinochet, iniciada em 11 de março de 1973 após derrubar o governo do socialista Salvador Allende.

A ditadura deixou um saldo de mais de 3.000 vítimas, entre mortos e desaparecidos.