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Chile não sediará COP-25 e fórum da Apec após protestos

Eventos aconteceriam em novembro e dezembro deste ano; manifestações abalam o país há 13 dias

Por Da Redação - Atualizado em 30 jul 2020, 19h36 - Publicado em 30 out 2019, 12h07

O governo do Chile anunciou nesta quarta-feira, 30, que o país não será mais sede da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019 (COP-25) e do fórum da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico) devido aos protestos que abalam o país há 13 dias.

“Esta foi uma decisão muito difícil, uma decisão que nos causa muita dor, porque entendemos perfeitamente a importância da Apec e da COP-25 para o Chile e para o mundo”, disse o presidente Sebastián Piñera em um breve discurso.

Mas “baseamos nossa decisão em um sábio princípio de bom senso: quando um pai tem problemas, sempre tem que privilegiar sua família em detrimento de outras opções. Como uma presidente, que sempre tem que colocar seus próprios compatriotas acima de qualquer outra consideração”, explicou.

Cercado pela maior crise social desde o retorno à democracia no país, em 1990, Piñera disse que precisa se dedicar totalmente à restauração completa da ordem pública, promovendo uma agenda social que responda às demandas das ruas e sustentando um amplo diálogo com a sociedade e o mundo político.

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A cúpula da Apec estava programada para reunir vinte líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em 16 e 17 de novembro. A COP-25 previa atividades entre 2 e 13 de dezembro.

O cancelamento da cúpula da Apec pegou a Casa Branca de surpresa, segundo afirmou uma autoridade americana à agência de notícias Reuters. O funcionário disse que Washington soube da decisão pela imprensa e está buscando mais informações.

A COP-25 estava prevista para acontecer inicialmente no Brasil, mas o governo decidiu não sediar o evento. O presidente Jair Bolsonaro alegou que o “custo de mais de 500 milhões de reais” e a possibilidade de haver “constrangimento do governo” motivaram a desistência. Após a mudança, o Chile se tornou o novo anfitrião.

Os protestos

O Chile é abalado há 13 dias por intensos protestos, que já deixaram 20 mortos, 1.200 feridos e 3.535 presos em todo o país, segundo o Instituto Nacional de Direitos Humanos do Chile (INDH).

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As manifestações foram originados por uma subida no preço dos bilhetes de metrô, há mais de uma semana, e acabaram por escalar para um movimento nacional contra a situação econômica no país.

Na terça-feira 29, o governo chileno admitiu situações envolvendo as forças da ordem que “parecem ser violações dos direitos humanos”. Cinco das 20 mortes ocorridas durante a crise foram provocadas por militares e policiais, informou o INDH.

“Ocorreram situações que efetivamente, aparentemente, podem ser violações dos direitos humanos”, declarou o ministro da Justiça e Direitos Humanos, Hernán Larraín, após reunião com representantes do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH, estatal).

Após o encontro, Sergio Micco, diretor do INDH, garantiu que durante os dias de manifestações ocorreram “mais queixas por torturas, crueldades e atos degradantes do que durante todo o ano de 2018”.

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(Com Reuters e AFP)

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