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Chile: Boric anuncia gabinete com maioria de mulheres e aceno ao mercado

Mulheres comandarão 14 das 24 pastas e presidente do Banco Central, Mario Marcel, assume Ministério das Finanças

Por Da Redação 21 jan 2022, 12h28

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, apresentou nesta sexta-feira, 21, os nomes dos 24 ministros que integrarão seu governo, que terá início em 11 de março. Com grande presença de mulheres, que comandarão 14 pastas, o político também fez um forte aceno ao mercado ao escolher nomes moderados e ao selecionar o presidente do banco central, Mario Marcel, para o Ministério das Finanças.

A média de idade do novo gabinete, de 49 anos, também reflete uma mudança geracional trazida pela eleição de Boric. Além de ser o presidente eleito mais jovem do país, com 35 anos, o ex-líder estudantil e deputado também se tornou o que mais recebeu votos na história do país.

Há também uma maior representatividade nacional, à medida que nove dos escolhidos pelo presidente eleito são de áreas fora da zona metropolitana de Santiago.

Em cerimônia no jardim do Museu de História Nacional, em Santiago, Boric afirmou que os nomes escolhidos “representam, de forma simbólica, os 19 milhões de habitantes do país”, e que pediu para sua equipe dialogar com os membros do governo de Sebastián Piñera para “uma transferência de poder transparente”.

“Peço que assumam suas tarefas com o maior empenho e responsabilidade, tendo em mente que todas as pessoas esperam que façamos do Chile um lugar mais amigável e humano para se viver, onde a dignidade se torne um hábito”, afirmou. “Dialoguem. Somente através do diálogo diário e ouvindo a todos que vamos construir este país mais justo ao qual aspiramos”.

Entre os nomes de peso anunciados estão Izkia Siches, médica sanitarista proeminente e parte da equipe de campanha do presidente eleito, como ministra do Interior, assim como a parlamentar Marcela Hernando, que assume a pasta da Mineração, com foco no desenvolvimento de cobre e lítio.

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Ex-subsecretária de Saúde de Michelle Bachelet, Jeanette Vega será ministra do Desenvolvimento Social, enquanto a pasta de Obras Públicas fica com o liberal Juan Carlos García. O Ministério do Esporte fica sob comando de Alexandra Vergara, ex-jogador da seleção de futebol.

Em uma escolha simbólica, a pasta da Defesa ficará sob comando de Maya Fernández Allende, neta de Salvador Allende, deposto pela ditadura de Augusto Pinochet.

Mario Marcel, escolha para o Ministério das Finanças, participou de diversos governos após o fim da ditadura militar. No comando do banco central chileno desde 2016, ele é duro defensor da independência do banco, além de ser um forte crítico aos saques antecipados do fundo de pensão, que vêm preocupando investidores. O peso chileno cresceu 0,5% contra o dólar nesta sexta-feira após o anúncio e, desde o começo de janeiro, 6,8%.

Analistas afirmam que a escolha de Boric tem objetivo de mostrar que o governo não terá um perfil da direita radical anti-mercado, mas sim uma abordagem pragmática social-democrata, com foco em um estado de bem-estar social.

“Escolher Marcel como ministro é um bom sinal de estabilidade econômica, visto positivamente pelo mercado”, disse Miguel Angel Lopez, professor da Universidade do Chile, à agência de notícias Reuters. “Tudo caminhar para ser uma mudança mais pragmática”, com mistura de aliados da coalizão e tecnocratas.

O tom mais moderado já vinha sendo empregado por Boric desde sua eleição, citando o fato de que o Congresso não tem maioria de esquerda, nem de direita, por isso, irá buscar com base em “acordos amplos”.

Desde os protestos em massa de 2019, o Chile passa por um momento político e social inédito, incluindo a derrota de partidos governistas e tradicionais nas eleições para escolher os redatores da nova Constituição. Enquanto os independentes e a oposição de centro-esquerda obtiveram mais de 40% das cadeiras da Assembleia Constituinte, a direita, que se apresentava em uma chapa única formada pelos partidos governistas, não conseguiu alcançar o percentual de votos necessário para vetar artigos na nova Carta Magna.

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