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Chega ao fim império de Kadafi com prisão de Seif al Islam

Por Da Redação 19 nov 2011, 13h19

Milagros Sandoval.

Redação Central, 19 nov (EFE).- A captura de Seif al Islam, procurado pelos revolucionários líbios e a justiça internacional – sobre ele pesava uma ordem de detenção emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em 27 de junho – pôs definitivamente um ponto final à ‘Primavera Líbia’.

Seif al Islam Kadafi, considerado o sucessor da ‘Presidência hereditária’ líbia instaurada por Muammar Kadafi, foi capturado pelos milicianos líbios 30 dias depois da morte de seu pai e mostrado pelo canal internacional líbio com três dedos da mão direita machucados.

O ‘reinado’ do herdeiro do excêntrico coronel durou apenas nove meses desde o início dos protestos pacíficos em 15 de fevereiro.

Naquele dia, 2 mil manifestantes saíram às ruas de Benghazi para protestar contra a detenção de um ativista dos direitos humanos e os governantes corruptos. A essa manifestação se seguiriam depois novas ações em todo o país dando início aos dias de ‘cólera’.

Dias depois, o jovem de 39 anos filho de Kadafi, quem seu pai criou para sucedê-lo e o Ocidente considera um cosmopolita com vontade de fazer mudanças em seu país, passou a ameaçar os próprios compatriotas e derramar ‘rios de sangue’.

Fluente em inglês, francês e alemão, Seif fez um discurso em 21 de fevereiro de dedo em riste ameaçando os manifestantes a ‘restaurar a segurança’.

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A cena rompia o silêncio de seu pai, que desde o início dos protestos só havia aparecido cercado de correligionários em algumas imagens de televisão.

A partir dessa data, Seif al Islam se transformou na voz do regime de 42 anos no poder. Pela TV estatal, declarou que os militares líbios ‘não agiam da mesma forma que os contingentes da Tunísia e do Egito’, depostos pelas ‘primaveras árabes’.

Advertiu que ‘se o caos se instaurasse, todos chorariam a morte de milhares de irmãos’ e preveniu para a possibilidade de ocorrer outra guerra em torno do petróleo e ‘a criação de um Estado Islâmico’.

O discurso ameaçador contradizia as declarações feitas em 27 de junho ao jornal britânico ‘The Sunday Times’. Na entrevista, ele falou sobre o fim da era dos ‘grandes líderes e reis’ e o início da época dos ‘gestores’.

‘O povo líbio deve escolher seus líderes. O futuro pertence à democracia. Não há outra via para a Líbia’, afirmou na época, na ocasião em que declarou ter o sonho de fazer da Líbia ‘a Viena do Norte da África’, em referência a sua cidade favorita europeia.

Contribuiu para formar sua imagem de cosmopolita o título de doutorado conquistado na London School of Economics (LSE), com a tese sobre ‘O papel da sociedade civil na democratização das instituições de governança global’. Seif al Islam ainda estudou Engenharia, Arquitetura e Economia em Trípoli, Viena e Londres.

Ao seu currículo se somava o comando da Fundação Kadafi para o Desenvolvimento, criada em 2009 e com sede em Londres, apesar de sua fama de mulherengo e a inclinação para as apostas. A eclosão chegou a Seif al Islam após a queda de Trípoli em 21 de agosto.

Sua prisão pôs um ponto final à saga dos Kadafi à frente do nono exportador de petróleo da Opep, com o progenitor Muammar e três filhos – Mutassim, Khamis e Seif al Arab – mortos. A mulher do ditador Safia e sua filha Aisha e os irmãos Hannibal e Mohammed estão exilados na Argélia por razões humanitárias e Saadi (jogador profissional) foragido no Níger. EFE

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