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‘Chefe militar’ deixa comando separatista na Ucrânia

Igor Girkin é um cidadão russo com passagem pelo Exército do país. Ele se portava como uma espécie de ministro da Defesa dos rebeldes do leste ucraniano

O ‘chefe militar’ dos rebeldes pró-Rússia no leste da Ucrânia, Igor Girkin, deixou o posto nesta quinta-feira. Conhecido pelo nome de guerra Strelkov, ou ‘atirador’, ele se portava como uma espécie de ministro da Defesa das autoproclamadas República Popular de Donetsk e República Popular de Lugansk – os separatistas insistem em dar uma roupagem oficial ao movimento que ameaça a unidade territorial ucraniana.

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A União Europeia acredita que ele trabalhe para a inteligência russa. Segundo a rede britânica BBC, Strelkov é um cidadão da Rússia com passagem pelo Exército do país, incluindo operações na Sérvia, Chechênia e Transnístria, região da Moldávia com forte movimento pró-Rússia. Alexander Borodai, que também faz parte da liderança rebelde, confirmou a saída de Strelkov, negando rumores de que ele teria sido ferido. Ele identificou o substituto de Girkin como Tsar. A BBC informou que o nome verdadeiro do novo ‘chefe militar’ é Vladimir Kononov.

Nesta quinta-feira, explosões atingiram a cidade de Donetsk, onde a população foi alertada a buscar abrigo e ficar longe das ruas. Dois centros comerciais teriam sido atingidos e ao menos uma pessoa morreu. Em Lugansk, os habitantes enfrentam escassez de água, alimentos e eletricidade há mais de uma semana. As linhas telefônicas também pararam de funcionar.

Em meio aos confrontos, o comboio humanitário enviado pela Rússia se aproxima da fronteira, mesmo depois de o governo ucraniano ter avisado que não deixará os caminhões entrarem no país por não terem sido inspecionados.

A Ucrânia desconfia que o comboio possa ser usado como disfarce para uma invasão. Contudo, as declarações de autoridades russas nesta quinta tiveram um tom conciliador – ainda que cínico, como definiu o próprio governo russo. Em visita à Crimeia, o presidente Vladimir Putin falou que fará “tudo o que for possível” para acabar com os confrontos “o mais rápido possível”, enquanto o Ministério de Relações Exteriores pediu um “cessar-fogo” urgente para permitir que a ajuda humanitária seja distribuída. “Pedimos aos lados em conflito para que mostrem a necessária disposição política para aliviar a terrível situação dos habitantes da região atingida”.