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Chefe golpista anuncia volta a ordem constitucional em Mali

Katti (Mali), 1 abr (EFE).- O capitão Amadou Haye Sanogo, o chefe da Junta Militar que em 22 de março derrubou o presidente malinês Amadou Toumani Touré, anunciou neste domingo o retorno da antiga ordem constitucional.

Sanogo respondeu assim ao ultimato de 72h lançado na sexta-feira pela Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao) que vencia neste domingo.

Em entrevista coletiva no quartel de Katti, a 15 quilômetros de Bamaco, Sanogo anunciou o início das consultas com ‘todas as forças vivas da nação’, assim como o estabelecimento de um período de transição que será seguido por eleições gerais, embora não tenho fornecido datas.

‘Firmamos o compromisso solene de restabelecer a partir deste dia a Constituição de 25 de fevereiro de 1992, assim como todas as instituições da república’, disse Sanogo, que no último dia 22 de março revogou a Constituição do país, após o triunfo do levante militar.

No entanto, o chefe golpista não fez nenhuma referência sobre eventual retorno de Touré e do anterior Governo.

‘Levando em conta a grande crise de nosso país e a fim de permitir uma transição em boas condições e preservar a coesão nacional, decidimos começar consultas com todas as forças do país’, declarou.

Ele revelou que os contatos serão feitos pelo presidente de Burkina Fasso, Blaise Campaore, que atuou como mediador em nome da Cedeao, desde o início da crise institucional.

O capitão Sanogo explicou que o período transitório será decidido em uma convenção nacional e insistiu que será seguido de eleições ‘tranquilas, livres, abertas e democráticas’.

Indicou que o Comitê Nacional para o Restabelecimento da Democracia e a Restauração do Estado (CNRDRE), principal órgão golpista e presidido por Sanogo, não participará dessas eleições.

Sobre a situação no norte do país, onde grupos independentistas tuaregues tomaram o controle de duas províncias (Kidal e Gao) e acossam uma terceira (Tombouctou), Sanogo voltou a insistir em sua grande preocupação pelos ataques dos que classificou como ‘movimentos armados’.

‘Estamos determinados a defender a qualquer custo a integridade territorial nacional’, declarou na entrevista coletiva.

Em 17 de janeiro, o grupo independentista tuaregue Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (norte de Mali) pegou em armas para pedir a autodeterminação do norte do país. EFE