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Chefe do Exército colombiano é demitido após escândalo

Presidente Juan Manuel dos Santos disse que general Leonardo Barrero, que manteve diálogo com suspeito de corrupção, foi desrespeitoso

Por Da Redação - 19 fev 2014, 07h34

O governo colombiano anunciou nesta terça-feira a demissão do comandante das Forças Armadas do país, o general Leonardo Barrero. A demissão ocorre dois dias após a revelação de uma série de escândalos de corrupção envolvendo o Exército colombiano.

Barrero, apesar de não ter sido oficialmente ligado aos casos, caiu em desgraça após a divulgação de uma conversa com um coronel registrada no final de 2012 e que foi divulgada no mesmo pacote de denúncias veiculadas pela imprensa colombiana.

No diálogo, Barrero se queixa da atuação do Ministério Público local e propõe a formação de uma “máfia” para denunciar promotores que investigavam a execução de dois homens que haviam sido erroneamente confundidos com guerrilheiros. Seu interlocutor era o coronel González del Rio, que na época estava justamente preso pela acusação de matar os dois suspeitos. O coronel ainda é apontado como um dos chefes da rede de corrupção do Exército, e manejava os negócios mesmo estando atrás das grades em uma guarnição militar.

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“Considerei oportuno e necessário fazer uma troca na cúpula militar. O comandante das Forças Armadas não está saindo por alguma ligação com a corrupção, mas sim por causa de suas frases desrespeitosas”, disse o presidente colombiano Juan Manuel dos Santos nesta segunda-feira, ao anunciar a demissão.

Santos ainda indicou que outros oficiais devem ser demitidos, mas não citou nomes. Na segunda-feira, o vice de Barrero, o general Javier Rey, já havia entregado o cargo após a revista Semana ter revelado a participação de oficiais em licitações fraudulentas para o Exército, como compras superfaturadas de armas, que rendiam propinas de até 50% dos valor dos contratos para os oficiais corruptos. O presidente já havia dito no domingo que considerava “inaceitáveis” as acusações de corrupção nas Forças Armadas. No mesmo dia ele ordenou que o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón. Desse início a uma investigação.

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O escândalo de corrupção foi o segundo a estourar no Exército colombiano em menos de um mês. No dia 4 de fevereiro, a revista Semana, já havia denunciado que uma central de inteligência militar espionou personalidades políticas do país, inclusive membros da equipe negociadora do governo nos diálogos de paz com os guerrilheiros das Farc em Cuba. Por causa desse escândalo dois generais foram substituídos na chefia de Inteligência do Exército.

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