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Chefe da Liga Árabe vai à Síria, onde a repressão matou 16 mortos este domingo

Por Mohamed Hossam 4 set 2011, 14h31

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al Arabi, espera viajar em breve a Damaco para expressar a “preocupação” dos países membros da organização pelo que ocorre na Síria, onde a repressão deixou ao menos 16 mortos neste domingo, segundo opositores.

Nabil al Arabi anunciou à imprensa neste domingo, na sede da organização pan-árabe no Cairo, que Damasco aceitava que ele visite a Síria, para onde espera viajar “nesta semana”. “Expressarei a preocupação árabe e escutarei”, acrescentou.

No dia 28 de agosto, Arabi havia indicado que esperava a aprovação da Síria para viajar a Damasco e apresentar uma iniciativa árabe que ajudasse a encontrar uma saída para a crise deste país.

Na ocasião, os países membros da Liga pediram ao secretário-geral “que realize uma missão urgente em Damasco e transmita a iniciativa árabe para resolver a crise na liderança síria”, sem divulgar esta iniciativa.

Também convocaram Damasco a “acabar com o derramamento de sangue e a seguir o caminho da razão antes que seja muito tarde”, respeitando as “aspirações legítimas por reformas políticas e sociais” do “povo sírio”.

Por sua vez, El Arabi havia assegurado que “o uso da força” para reprimir as revoltas no mundo árabe era “inútil”, em uma clara alusão à Líbia.

A ONU calcula que as manifestações e a repressão na Síria deixaram ao menos 2.200 mortos desde o início das manifestações contra o regime, em meados de março, em sua maioria civis. Segundo militantes opositores, mais de 10 mil pessoas foram detidas.

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Neste domingo, as forças de segurança sírias mataram 12 pessoas em várias cidades do noroeste e do centro do país, indicou Omar Idlibi, porta-voz dos Comitês Locais de Coordenação (LCC), um movimento que apoia os protestos contra o regime de Bashar al-Assad.

Entre os falecidos havia uma mulher, segundo ele.

De acordo com Idlibi, as forças de segurança “perseguem o procurador de Hama” (centro), Adnan el Bakkur, que renunciou após criticar o regime.

Por sua vez, a agência oficial síria Sana anunciou que seis militares e três civis foram mortos em uma emboscada realizada por um “grupo armado” no centro do país.

Por último, em Moscou, o chanceler russo, Serguei Lavrov, em uma coletiva de imprensa comum com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, estimou que o grupo de cinco países emergentes, os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), se opõe a que se repita na Síria o que ocorreu na Líbia.

Segundo Lavrov, “se tudo dependesse dos BRICS, não se repetiria o ocorrido na Líbia”, onde uma revolta armada derrubou Muamar Kadhafi com o apoio da Otan, que realizou bombardeios.

“Propomos que o Conselho de Segurança da ONU exija com firmeza a todas as partes envolvidas no conflito que respeitem os Direitos Humanos e comecem a dialogar”, afirmou.

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