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‘Chavismo’ não se abala com câncer e confirma candidatura de Chávez

Caracas, 5 mar (EFE).- A confirmação que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi operado de um tumor cancerígeno e se submeterá à radioterapia acrescentou incógnitas ao futuro do país a sete meses das eleições, mas não para o ‘chavismo’, que nesta segunda-feira ratificou o governante como seu candidato.

O primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, disse hoje que ‘o candidato da revolução é e será Hugo Chávez’ no pleito presidencial do dia 7 de outubro.

No domingo, Chávez tornou público em um programa transmitido no domingo em Caracas e gravado no sábado em Havana que teve uma ‘recorrência’ do câncer diagnosticado em junho do ano passado e anunciou que se submeterá à radioterapia e outros tratamentos complementares, embora tenha negado a presença de metástases.

Além disso, detalhou que a evolução após a operação, que, segundo esclareceu, foi no dia 26 e não no dia 27, como havia sido informado inicialmente, foi ‘franca’, ‘progressiva’, ‘sustentada’ e ‘rápida’, e declarou que está ‘muito otimista’.

Durante sua entrevista coletiva de hoje, Cabello destacou que, apesar de sua doença, ‘será muito difícil frear o presidente quando ele sair às ruas e falar com as pessoas’, ressaltando que Chávez não deixará de fazer atos públicos ‘todos os dias’ e que os realizará ‘sem restrições’.

Por outro lado, o próprio Chávez indicou pouco antes de partir para Havana que teria que ‘repensar’ sua agenda de atividades.

Apesar das incógnitas sobre as consequências da doença e do tratamento que deverá seguir às vésperas de uma campanha que deve começar oficialmente em junho, a oposição reagiu discretamente ao anúncio do presidente, sem fazer avaliações públicas sobre o novo tumor.

Pelo contrário, se concentrou em criticar o Governo por incidentes ocorridos na tarde do domingo e que hoje captaram o interesse dos meios de comunicação do país.

O candidato da oposição às eleições presidenciais, Henrique Capriles, presenciou no domingo um grupo de homens armados dissolver um ato realizado em uma área do oeste de Caracas com um tiroteio que deixou vária pessoas levemente feridas.

O chefe da campanha de Capriles, Armando Briquet, responsabilizou pelos incidentes ‘grupos armados’ afines ao governo, enquanto o ministro do Interior, Tareck el Aissami, disse que tudo foi uma ‘palhaçada’ da oposição, à qual culpou pelo ocorrido.

Com este episódio como aviso sobre a tensão que pode tomar o país, analistas consultados pela Agência Efe consideram que Chávez deverá variar seu plano com vistas às eleições de outubro, mas dão por certo que seguirá adiante com suas aspirações de buscar a reeleição pela terceira vez.

‘Sua estratégia básica que estava curado, que não tinha nada, que podia ir à campanha, não continua sendo válida’, afirmou o pressente do instituto Datanálisis, Luis Vicente León.

O analista previu uma gestão mais virtual da atividade do governo, maior publicidade televisiva e uma mobilização do aparelho do Estado para tentar tornar visível a atividade do Executivo de Chávez.

Enquanto isso, as enquetes seguem dando ampla vantagem ao presidente venezuelano sobre seu oponente.

A empresa Hinterlaces divulgou hoje uma pesquisa, realizado entre os dias 24 de fevereiro e 1º de março, na qual assinala que 52% dos venezuelanos afirmaram que se as eleições presidenciais fossem no próximo fim de semana votariam em Chávez, contra 34% que manifestaram sua predileção por Capriles.

Sobre a doença de Chávez, a enquete aponta que 49% dos venezuelanos pensam que a doença do presidente é grave, mas 71% acreditam que o líder conseguirá se curar e participar das eleições presidenciais. EFE