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Chávez, o presidente irredutível perante a batalha mais difícil

Por Da Redação - 10 jun 2012, 00h32

José Luis Paniagua.

Caracas, 9 jun (EFE).- Idolatrado por alguns como um defensor da democracia com sensibilidade social e acusado por outros de ser um mero ditador populista preocupado só com ele mesmo, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o político irredutível, encara a batalha mais difícil de sua vida, o câncer.

Chávez passou os 13 anos que está no poder tentando projetar a imagem de homem que supera as dificuldades, descrevendo cada um de suas revezes como vitórias e fazendo de suas conquistas, marcos da história que reivindica como continuação das aspirações do libertador Simon Bolívar.

Dois momentos marcaram sua vida: a fracassada tentativa de golpe de Estado de 1992 contra o então presidente, Carlos Andrés Pérez, que o levou a prisão para depois ser indultado, e o também fracassado golpe de Estado que sofreu em 2002 e que durante quase 48 horas o tirou do poder, até retornar triunfal para o palácio de Miraflores.

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No dia 30 de junho de 2011 apareceu solene nos televisores de todos os venezuelanos e lhes comunicou que tinha câncer. Ele mesmo somou a nova cruz aos dois episódios anteriores. O terceiro momento já dura 12 meses.

Extrovertido, impudico, carismático, Chávez fez do exercício do poder um espetáculo televisivo no qual se apresenta como defensor dos pobres, açoite dos ricos, continuador do libertador Simón Bolívar e antagonista do ‘Império’, como chama os Estados Unidos.

Há treze anos tudo o que acontece nesta nação sul-americana tem algum vínculo com Chávez. Acontece por, contra, sem, com, para, segundo, sob e perante o comandante-presidente da Venezuela. A favor ou contra, nenhum venezuelano pode explicar o dia a dia de seu país sem mencioná-lo.

Há quem sustente que para os venezuelanos sua liderança tem mais de espiritual e religioso que de político e revolucionário. Por seu discurso, fundamentalmente nacionalista, passam Jesus Cristo, Che Guevara, Mao Tse-tung, Tupac Katari e Karl Marx em uma estranha comunhão que Chávez consegue armar em um tipo de doutrina.

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Defende o socialismo com a cruz na mão, ora em silêncio em uma capela enquanto o país o olha pela televisão e vai para uma nova operação em Cuba cumprimentando com uma imagem de Jesus Cristo sob a qual se pode ler: ‘E te sanarei’.

Amigo dos líderes mais controvertidos, como o iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ou do falecido ditador líbio Muammar Kadafi, Chávez conjuga o tradicional caudilhismo latino-americano com um discurso em defesa das lutas sociais que um dia batizou com o pegajoso nome de Socialismo do Século XXI.

Segundo dos sete descendentes homens de um casal de professores rurais do estado ocidental e rural de Barinas, Hugo Rafael Chávez Frias nasceu no dia 28 de julho de 1954 em Sabaneta.

O único antecedente político em sua família foi seu bisavô Pedro Pérez Delgado, um caudilho popular daqueles que eram alçados rapidamente ao grau de general e que brigou contra a ditadura de Juan Vicente Gómez (1908-1935).

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Chávez, disse em repetidas ocasiões, teve uma infância feliz apesar das carências da família, que vivia em uma casa de paredes de barro, teto de folha de palma seca e chão de terra.

Querendo jogar beisebol nas Grandes Ligas dos Estados Unidos, Chávez se alistou em 1971 na Academia Militar, mas não por vocação mas porque seu técnico, a quem ele admirava, achava que podia ajudá-lo em sua carreira rumo ao estrelato esportivo.

No entanto, se graduou na academia em 1975 como subtenente e o pomposo título de ‘Formado em Ciências e Artes Militares, Ramo Engenharia, Menção Terrestre’ com o qual voltou para sua terra, onde se casou com Nancy Colmenares, com a qual teve três filhos.

Chávez se casou pela segunda vez com a locutora Marisabel Rodríguez, com a qual tem uma filha, e da qual posteriormente se separou.

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Sua carreira militar é uma sucessão de destinos. Assegura que se afiançou como ‘um rebelde’ como consequência da repressão militar do levante popular de 1989, contra a política econômica liberal de Pérez e que acabou em um massacre.

No dia 4 de fevereiro de 1992 rubricou seu fracasso golpista com um ‘por enquanto’, que se transformou no símbolo de sua irrupção na vida política venezuelana.

Saiu da prisão em 26 de março de 1994 graças a um indulto presidencial em troca de sua baixa nas Forças Armadas e se lançou na carreira política.

Reeleito duas vezes, agora aspira a um novo triunfo eleitoral em outubro, e sobretudo a vencer o câncer. EFE

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