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Chávez enfraquece imprensa na Venezuela, aponta estudo

Relatório do Comitê de Proteção dos Jornalistas mostra que ‘jornalistas e meios de comunicação decidiram censurar sua própria cobertura informativa’. Devido às pressões do ditador temas cruciais não são discutidos na eleição

Por Da Redação 29 ago 2012, 17h12

O constante desprezo pela liberdade de imprensa e o cerceamento aos meios de comunicação privados pelo ditador Hugo Chávez tem resultado em autocensura da imprensa e escassa cobertura de temas cruciais para a população, aponta o relatório do Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ). O estudo intitulado “Meios privados venezuelanos se enfraquecem sob o assédio de Chávez” foi apresentado nesta quarta-feira, em Nova York, e é o quarto e o mais crítico realizado pelo CPJ sobre a situação da imprensa na Venezuela desde a chegada ao poder do atual presidente, em 1999.

“O desmantelamento gradual da imprensa crítica na Venezuela nos últimos 13 anos, junto com campanhas de desprestígio nos meios de comunicação estatais e decisões judiciais que permitem a censura, é uma perda notável para os cidadãos que precisam de informações profundas, e não de propaganda”, disse Carlos Lauría, coordenador do Programa das Américas do CPJ. Segundo o relatório, o governo de Chávez “utilizou uma variedade de leis, ameaças e medidas reguladoras para enfraquecer, de maneira gradual, a imprensa independente enquanto erguia um império midiático estatal”.

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O relatório menciona que “para evitar possíveis multas ou inclusive penas de prisão, muitos jornalistas e meios de comunicação decidiram censurar sua própria cobertura informativa”. O estudo cita casos nos quais a imprensa precisou se retratar ou não fazer a cobertura de um fato, por exemplo, a suposta poluição de um rio. “O governo também bloqueou cobertura informativa crítica, fechou rádios e redes de televisão, processou jornalistas por difamação, excluiu quem considera hostil de eventos oficiais e perseguiu – com a ajuda de militantes e de meios de comunicação estatais – jornalistas críticos”, denuncia o CPJ.

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Eleição – Segundo o diretor-executivo do CPJ, Joel Simon, o cerceamento da imprensa impossibilita à população ter acesso a informações críticas e “temas cruciais não estão recebendo cobertura informativa em um ano eleitoral“, afirma Joel Simon, diretor-executivo do CPJ. Entre os assuntos que não podem ser tratados com profundidade pela imprensa, o CPJ cita “a saúde de Chávez, o crescente desemprego, a superlotação nas prisões e as condições do vital setor energético estatal“.

“A cacofonia afoga a possibilidade de debater temas importantes e, no contexto da campanha eleitoral, o público é o grande perdedor”, acrescenta Simon, afirmando que a “polarização” entre o chavismo e a oposição encarnada pelo candidato Henrique Capriles “se reflete de forma dramática na imprensa”.

Exportando o modelo – O relatório também destaca que o declínio do jornalismo venezuelano não prejudica apenas para o país, mas também para os países da região, que copiam o modelo chavista. “Quase todas as estratégias de Chávez para controlar e isolar os jornalistas críticos foram emuladas por governos que simpatizam com o venezuelano na região, de Nicarágua a Equador“, indicou.

O assédio do governo venezuelano se estende à internet, onde recorreu a “atos intimidadores”: “As contas de jornalistas críticos são hackeadas e utilizadas para promover mensagens a favor do governo”, segundo a investigação do CPJ.

(Com agência France-Presse)

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