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Chávez comemora 20 anos de tentativa de golpe com parada militar

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, presidiu neste sábado, em Caracas, acompanhado de vários líderes regionais, uma parada militar para celebrar os 20 anos de sua tentativa de golpe, voltando a desafiar a oposição, ao afirmar que as Forças Armadas são “chavistas”.

Chávez, que chegou ao emblemático ‘Paseo Los Próceres’ fazendo saudações de um carro preto conversível, lembrou o golpe fracassado que liderou em 4 de fevereiro de 1992 contra o então presidente Carlos Andrés Pérez, afirmando que sua “rebelião” buscou defender “o povo atropelado” por um governo “subordinado” aos Estados Unidos.

Assistiram ao ato como convidados os presidentes de Cuba, Raúl Castro, Bolívia, Evo Morales, Nicágua, Daniel Ortega, e Haiti, Michel Martelly, que estão em Caracas para participar da cúpula da Aliança Bolivariana dos Povos da Nossa América (ALBA), uma iniciativa cubano-venezuelana.

Mostrando-se desafiador e provocativo, Chávez, um ex-militar que está no poder desde 1999, reiterou várias vezes durante seu discurso uma polêmica declaração feita na quinta-feira, quando afirmou que as Forças Armadas são “chavistas”, destacando que aos seus detratores “lhes dói a verdade”.

A oposição venezuelana, que repudiou na sexta-feira as declarações de Chávez, também criticou a parada militar deste sábado, rejeitando que se glorifique o crime que constitui um golpe de Estado e que se obrige os soldados a celebrar “um ato insurrecional”, que constituiu “uma traição à honra militar”.

As Forças Armadas são “uma instituição essencialmente proficional, sem militância política”, afirmou esta semana a oposição, lembrando um artigo da Constituição venezuelana.

“Eu ria de um comunicado tirado pela direita venezuelana, declarando este desfile inconstitucional, é até ridículo. Onde os desfiles são constitucionais ou inconstitucionais ? (…) O que têm é puro ódio”, disse Chávez em resposta às críticas e reiterando novamente o caráter “chavista” das Forças Armadas, ainda que a oposição “sofra um infarto”.

A relação de Chávez com as Forças Armadas tem sido causa recorrente de controvérsia e, nas últimas semanas, voltou a ganhar relevância sobretudo devido à nomeação como ministro da Defesa do general Henry Rangel Silva, acusado pelos Estados Unidos de vínculos com o narcotráfico e a guerrilha das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).