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Charles Taylor, o homem que afundou uma região no terror

Ex-presidente liberiano foi o 1º ex-chefe de estado a ser condenado na história do Tribunal Penal Internacional - por crimes contra a humanidade em Serra Leoa

Por Da Redação
26 abr 2012, 15h38

O ex-presidente liberiano Charles Taylor, 64 anos, considerado culpado nesta quinta-feira de crimes contra a humanidade e de guerra em Serra Leoa, foi o primeiro ex-chefe de estado a ser condenado de fato na história do Tribunal Penal Internacional, criado 2002. A condenação também se configura como histórica por ter sido a primeira vez em que um ex-chefe de estado foi condenado por uma corte internacional depois da II Guerra Mundial.

Taylor provocou durante os anos 90 uma série de conflitos violentos em parte da África Ocidental. O político de origem burguesa estudou em uma universidade americana e trabalhou em bancos estatais da Libéria antes de virar um líder guerreiro ávido por poder e, posteriormente, um presidente questionado que comandou o país entre 1997 e 2003.

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Histórico – Charles Ghankay Dahkpannah Taylor nasceu em 1948 num subúrbio rico de Monróvia, em uma família da etnia Gios, que comandou a Libéria da independência em 1822 até 1980. Ele é filho de pai negro americano e de mãe liberiana. Formado em economia no Bentley College, de Massachusetts, ele entrou em 1979 no serviço público liberiano, onde foi rapidamente chamado de “super bonder” por sua propensão a desviar grandes quantidades do dinheiro que passavam por suas mãos.

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Acusado pelo presidente Samuel Doe em 1983 de ter desviado 900.000 dólares, ele se refugiou nos Estados Unidos, onde foi detido antes de escapar e fugir para a Costa do Marfim. Criou vínculos com a Líbia – onde ele e seus seguidores passaram por campos de treinamento – e com o presidente do Burkina-Faso Blaise Compaoré.

Seis anos depois, na noite de Natal de 1989, ele iniciou com um grupo reduzido de combatentes uma das mais atrozes guerras civis do continente africano, incluindo o recrutamento forçado de crianças. Doe foi torturado até a morte em setembro de 1990 pelos homens de Taylor. Pelo menos sete facções rivais se enfrentaram durante o conflito. A NPFL de Taylor era uma das mais temidas.

Seus combatentes, geralmente drogados, foram acusados das mais bárbaras matanças e atrocidades, mutilações, estupros e, inclusive, atos de canibalismo. Em 1997, depois de um acordo assinado sob o patrocínio da comunidade internacional, os liberianos o elegeram presidente. Principal chefe de guerra do país, ele se apresentou como o único capaz de acabar com o terror. O slogan de seus partidários era o seguinte: “Matei seu pai, matei sua mãe, vote em mim!”.

Dois anos depois, no entanto, os problemas começaram para Taylor, com o início da rebelião dos Liberianos Unidos pela Reconciliação e a Democracia (LURD) no norte do país. Apoiado por vários países vizinhos e extraoficialmente pelos Estados Unidos, o LURD avançou na direção de Monróvia. A guerra acabou depois de três meses de cerco da capital, de junho a agosto de 2003. Sob pressão, Taylor deixou o poder e o país em 11 de agosto de 2003 para um exílio dourado na Nigéria, pondo um fim a 14 anos de conflitos que deixaram cerca de 300.000 mortos e centenas de milhares de deslocados.

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Ele também é acusado de ter desestabilizado toda a região. Taylor já havia sido responsabilizado por crimes de guerra e contra a humanidade, em junho de 2003, pelo Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL), ante as suspeitas de que apoiava a rebelião Frente Revolucionária Unida (RUF) neste país desde março de 1991. Com a colaboração da RUF, Taylor teria traficado armas e diamantes. O conflito em Serra Leoa durou uma década (entre 1991 e 2001) e deixou 120.000 mortos.

Finalmente, em março de 2006, Taylor foi detido e levado para Haia. Em sua cela do centro de detenção de Scheveningen, na periferia de Haia, ele lê a Bíblia ou livros políticos e, segundo a família, começou a escrever um livro. Descrito por outros detentos como uma pessoa calma, Taylor também passou muitas horas reunido com o que chama de “conselheiro espiritual”.

Conheça os chefes de estado que foram julgados ou indiciados pela justiça internacional:

(Com agência France-Presse)

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