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Chanceleres da Unasul irão a Caracas, diz Figueiredo

Ministro das Relações Exteriores confirma a intenção da comissão em tentar intermediar o diálogo entre o governo de Maduro e os oposicionistas

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou nesta sexta-feira em Berlim que no começo da próxima semana viajará para Caracas dentro da comissão especial de chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). Na entrevista coletiva que seguiu o encontro com o ministro alemão das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, Figueiredo assegurou que este grupo procura “apoiar o diálogo entre todas as forças políticas'” da Venezuela e pacificar a situação. “Espero que em breve possamos conseguir resultados”, assinalou o chefe da diplomacia brasileira.

Segundo Figueiredo, é importante que as diferenças entre as partes sejam resolvidas de forma democrática e não com violência, e destacou que a região vai seguir envolvida ativamente na resolução do atual conflito. O ministro ressaltou também a importância de manter o diálogo e respeitar a democracia.

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O titular alemão das Relações Exteriores evitou se posicionar a respeito da atual situação de instabilidade na Venezuela, após indicar que seu colega brasileiro podia analisá-la melhor. O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, afirmou na quarta-feira passada que “antes do término de março” estará na Venezuela uma missão de chanceleres de Unasul que pode ser “muito útil” para o país, onde desde 12 de março ocorrem protestos contra o governo de Nicolás Maduro.

No encontro dos ministros do Brasil e Alemanha, segundo a assessoria de ambos, foi abordada também a situação na Ucrânia, o início em 2015 de cúpulas anuais bilaterais e o atual estado das negociações para um acordo econômico entre a União Europeia (UE) e Mercosul.

Preocupação dos EUA – O Departamento de Estado americano manifestou na quinta-feira sua preocupação com a detenção de dois prefeitos opositores na Venezuela. “Os relatos sobre a detenção do prefeito de San Cristóbal, Daniel Ceballos, e de San Diego, Enzo Scarano, preocupam-nos profundamente”, disse a porta-voz da pasta, Jen Psaki. “Pedimos mais uma vez ao governo da Venezuela que liberte os que foram detidos injustamente, pare com a restrição à liberdade de imprensa e inicie um diálogo inclusivo com os venezuelanos de todo o espectro político”, acrescentou Jen. A porta-voz insistiu em que as autoridades venezuelanas devem “pôr um fim à violência sobre seus cidadãos e dirigentes opositores”.

O ministro venezuelano do Interior, Miguel Rodríguez Torres, explicou que as detenções de Ceballos e Scarano foram feitas para evitar desordem pública durante os protestos contra o governo em suas respectivas cidades. Ceballos e Scarano se somam a Leopoldo López, outro líder da oposição, que se entregou à polícia depois de uma manifestação em 18 de fevereiro, acusado de incitar a violência.

Desde o início dos protestos, 31 pessoas já morreram e mais de 400 ficaram feridas. Os manifestantes protestam contra a altíssima inflação, a violência no país e por mais liberdade de imprensa. O governo denuncia que por trás dos protestos há uma tentativa de golpe, enquanto a oposição defende o direito de expressar seu descontentamento pacificamente e acusa a polícia de abusos.

(Com agência EFE)