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Chanceler do Equador renuncia em meio a crise diplomática com Argentina

Luis Gallegos é o último membro do alto escalão a sair do governo de Lenín Moreno, que chamou o argentino Alberto Fernández de 'mafioso internacional'

Por Da Redação Atualizado em 25 mar 2021, 21h21 - Publicado em 12 mar 2021, 12h09

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Luis Gallegos, renunciou nesta quinta-feira 11 em meio a uma controvérsia diplomática com o presidente da Argentina, Alberto Fernández, que fez declarações que Quito considerou ofensivas.

Um dos funcionários da pasta confirmou anonimamente a renúncia. Por enquanto, só se sabe que ele tomou a decisão por “razões pessoais”.

A saída de Gallegos, que tomou posse em julho do ano passado, no lugar de José Valencia, ocorreu após a reação do presidente equatoriano, Lenín Moreno, a um comentário do líder argentino durante uma entrevista.

Respondendo uma pergunta sobre sua relação com a vice Cristina Kirchner, Fernández comentou sobre o distanciamento entre Moreno e seu ex-vice-presidente, Jorge Glas – preso desde 2017 por um caso de corrupção, do qual ele nega ter participado.

“Não sou Lenín Moreno. Não sou Lenín Moreno, está bem? Quem imagina, não me conhece. Talvez eu tenha diferenças com Cristina. Eu as tenho, não é que as tive, eu as tenho. Temos visões diferentes sobre muitas coisas. Mas cheguei aqui com Cristina e vou sair com Cristina”, afirmou Fernández.

Glas, que também foi vice-presidente do líder esquerdista Rafael Correa nos últimos anos de sua década de governo, cumpre pena em uma das prisões de maior segurança do país pela suposta ligação com um dos esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo a construtora Odebrecht, e ainda responde a outros processos por suposta corrupção.

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O governo equatoriano interpretou a comparação feita por Fernández como uma “intervenção inaceitável” nos assuntos internos do país e emitiu uma carta com um “forte protesto” do Ministério das Relações Exteriores.

O texto dizia que “não aceita que sejam feitas comparações insultuosas ao presidente da República do Equador”, defendendo ao mesmo tempo a independência do seu Poder Judiciário. O governo também convocou seu embaixador em Buenos Aires, Juan José Vásconez, para consultas com objetivo de revisar a relação com o governo argentino.

A controvérsia se aprofundou após uma postagem no Twitter feita pelo presidente equatoriano. Ele compartilhou uma frase atribuída ao escritor americano Mark Twain: “Nunca discuta com um estúpido, isso fará com que você desça ao nível dele, então ele ganhará por experiência”. Depois, sem mais detalhes, escreveu: “A respeito da quadrilha de mafiosos internacionais que agem em sincronia”.

Uma fonte do governo confirmou que os alvos da mensagem são Alberto Fernández e o ex-presidente equatoriano Rafael Correa.

A saída de Gallegos da equipe de Moreno faz parte de uma série de renúncias de membros do alto escalão governamental pouco mais de dois meses antes do fim do mandato.

(Com EFE)

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