Chanceler da França diz ser ‘inquietante’ a eleição de Bolsonaro

Para Jean-Yves Le Drian, futuro governo brasileiro é de 'extrema direita' e 'flerta com valores´ combatidos por Paris na Europa

Por Da Redação - 31 out 2018, 15h47

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, declarou nesta quarta-feira (31) ser “inquietante” a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência do Brasil. Mas alegou que, muito além das declarações do candidato do PSL na campanha eleitoral, será preciso esperar para ver o que acontecerá na prática.

“Constataremos, a partir dos fatos, as posições do novo presidente”, afirmou Le Drian, em entrevista à emissora RTL. “(O novo governo será) uma extrema direita que flerta com valores que sempre combatemos na Europa. É inquietante”, agregou.

Le Drian avaliou a vitória de Bolsonaro como o efeito de uma sucessão de crises ocorridas no país –  corrupção, violência urbana e impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff – e do processo que levou à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Deixou claro que  “os interesses da França são enormes” no Brasil, mas que a possibilidade de seu país  “eventualmente colaborar” com o governo de Bolsonaro dependerá de compromissos a serem verificados com base em fatos.

Publicidade

Em uma primeira declaração após a vitória de Bolsonaro, no domingo, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que espera a preservação da parceria estratégica, baseada em “valores comuns de respeito e de promoção dos princípios democráticos”, entre os dois países.

Macron insistiu que a França pretende continuar cooperando a partir do “respeito aos valores” para enfrentar “os grandes desafios contemporâneos do nosso planeta, tanto no campo da paz e da segurança internacional como no da diplomacia ambiental e dos compromissos do Acordo de Paris sobre o clima”.

Nesta quarta-feira, Le Drian a mudança aparente de curso de Bolsonaro em relação a questões como a retirada do Brasil do Acordo de Paris sobre mudança climática e a adoção de uma nova Constituição. A postura do governante eleito, observou ele, agora é diferente.

(Com EFE)

Publicidade