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Chamadas de emergência do massacre em Newtown são divulgadas

Calma demonstrada por maior parte das vítimas de atirador chama a atenção nas gravações. Seis adultos e vinte crianças foram mortos na escola

Por Da Redação 4 dez 2013, 22h38

Um mulher informa a polícia que algo de errado estava acontecendo. “Escola Sandy Hook. Eu acho que alguém está atirando aqui”. “Ok, o que faz você pensar isso?”, pergunta o atendente. “É que tem alguém com uma arma. Eu vi de relance alguém correndo pelo corredor. Eles ainda estão correndo, ainda estão atirando. Escola Sandy Hook, por favor!” O atendente da linha de emergência diz a alguém para “conseguir todos o que puder para ir até lá”.

A reprodução do diálogo foi feita pela imprensa americana depois que as autoridades americanas divulgaram os áudios dos pedidos de socorro feitos no dia 14 de dezembro do ano passado, quando um atirador abriu fogo na escola de educação infantil e matou vinte crianças e seis adultos, antes de cometer suicídio. Chama a atenção a calma demonstrada pela maior parte das vítimas ao pedir socorro em um momento crítico dentro da escola.

Um homem passa informações para o atendente durante o ataque. É possível ouvir o som dos tiros ao fundo. Uma professora explica calmamente que foi atingida no pé. O atendente a instrui a pressionar o ferimento. “Há crianças na sala”, diz a mulher, explicando onde fica a sala em que ela está. “Você está bem?” o policial pergunta. “Por enquanto sim”.

Em outra chamada, o zelador Rick Thorne diz que “alguma coisa está acontecendo”. “Agora, está silencioso” Momentos depois, mais tiros são ouvidos. “Ainda há tiros, por favor”, alerta. Em outra chamada, ele se identifica para os policiais que acabaram de chegar ao local e passa a informação de que há vítimas no prédio.

As gravações vieram a público depois que a justiça do estado de Connecticut ordenou a liberação do material, em resposta a ações legais apresentadas por meios de comunicação. O juiz entendeu que a divulgação era de “interesse público”, decisão que foi contra a vontade de familiares das vítimas e promotores. Na terça-feira, o diretor da escola, John Reed, entrou em contato com os pais dos alunos para avisar sobre a distribuição das gravações para a imprensa.

Uma investigação sobre o massacre foi concluída na última semana, mas não conseguiu determinar os motivos que levaram Adam Lanza a perpetrar o massacre. As autoridades apenas consentiram que o atirador agiu sozinho. “Ele tinha familiaridade com o acesso a armas de fogo e munições e uma obsessão por assassinatos em larga escala, principalmente com o tiroteio que ocorreu na escola de Columbine, em abril de 1999”, informou o relatório da investigação.

O massacre em Newtown ocorreu menos de cinco meses depois de um ataque semelhante em um cinema em Aurora, no Colorado. Os casos reacenderam o debate nos Estados Unidos sobre saúde mental, controle de armas e segurança nas escolas. Depois das mortes na escola infantil, alguns estados americanos, incluindo Connecticut, aprovaram novas regras sobre armamentos e munições. No Parlamento, o debate sobre uma legislação nacional relativa ao controle de armas proposto por Obama não avançou.

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