Cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano entra em vigor
Viabilidade da trégua não é garantida, uma vez que o Hezbollah afirmou que só aceitará o acordo caso Israel deixe o sul do país
Um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Líbano entrou em vigor na manhã desta sexta-feira (17, noite de quinta em Brasília), após ser anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A trégua começou à meia-noite, no horário local, em ambos os países, após um mês e meio de conflito entre Israel e o movimento libanês pró-Irã Hezbollah.
Este último se somou no início de março à guerra no Oriente Médio ao lançar foguetes contra o território israelense, em solidariedade ao Irã, atacado pelos Estados Unidos e por Israel.
A viabilidade da continuidade da trégua anunciada pelos Estados Unidos, porém, não é garantida, uma vez que o grupo xiita libanês Hezbollah afirmou que só aceitará o cessar-fogo caso tropas de Israel deixem o sul do Líbano.
Para o Hezbollah, a permanência de soldados israelenses em território libanês daria ao país “o direito de resistir”, indicando que não reconhecerá plenamente a trégua sem uma retirada completa. A posição contrasta com a do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que afirmou que o acordo não inclui a saída das tropas do sul do Líbano.
O grupo também destacou que qualquer cessar-fogo não pode permitir liberdade de movimento às forças israelenses dentro do território libanês.
Mediação americana
O cessar-fogo foi anunciado por Trump após conversas com líderes de Israel e do Líbano. Segundo o presidente americano, o objetivo é abrir caminho para negociações mais amplas e reduzir a escalada do conflito.
Trump também indicou a possibilidade de convidar o presidente libanês, Joseph Aoun, e Netanyahu para uma reunião na Casa Branca — o que, se ocorrer, seria o primeiro encontro entre líderes dos dois países em cerca de três décadas.
Apesar disso, autoridades libanesas indicaram resistência a contatos diretos com o governo israelense no atual momento.
Embora o acordo mencione Líbano e Israel, o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês. As forças armadas do Líbano não participam diretamente dos combates.
(Com AFP)







