Cessar-fogo com Israel é porta de entrada para negociações, diz presidente libanês
Joseph Aoun defende que oportunidade 'não seja desperdiçada' e afirma estar trabalhando para a retirada do Exército israelense do país
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que as negociações diretas são “cruciais” para consolidar o cessar-fogo entre Israel e o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês, que entrou em vigor nesta sexta-feira, 17. De acordo com o mandatário, a oportunidade “não deve ser desperdiçada”, e Beirute está trabalhando junto a Tel Aviv para garantir a retirada das forças israelenses do país.
“Negociações diretas são cruciais, e um cessar-fogo é a porta de entrada para prosseguir com as negociações”, declarou Aoun a um grupo de parlamentares libaneses nesta sexta.
Segundo o mandatário libanês, o objetivo atual de Beirute é garantir que a trégua de dez dias entre o Hezbollah e Israel seja cumprida. Além disso, ele afirmou que as Forças Armadas do país irão conduzir operações na região sul, considerada um reduto do grupo armado e principal alvo das bombas israelenses, buscando garantir que os moradores anteriormente deslocados pelo conflito possam voltar às suas casas de forma tranquila.
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Outro ponto destacado pelo presidente diz respeito à manutenção das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) dentro do território libanês. Aoun apontou que o Exército coordenará a saída dos soldados estrangeiros, e que não haverá militares no país “além das nossas forças de segurança legítimas”.
A declaração do presidente foi uma resposta direta a comentários anteriores feitos pelo ministro da Defesa israelense, Israel Katz, que anunciou que as IDF manteriam suas posições no sul libanês, mesmo em meio ao cessar-fogo. Katz já havia feito outras declarações com o mesmo teor, defendendo que Tel Aviv capture de vez o território que invadiu caso Beirute não seja capaz de impedir ataques do Hezbollah.
As hostilidades entre Israel e Hezbollah tiveram início em março, quando o grupo libanês lançou foguetes contra o norte israelense em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Em resposta, Tel Aviv promoveu uma série de bombardeios e invadiu o sul do Líbano, em um confronto que se estendeu, incessante, até a noite de quinta-feira.
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Por enquanto, a trégua firmada por ambas as partes é instável. Treze pessoas morreram na cidade de Tiro minutos antes do cessar-fogo entrar em vigor, atingidas por um bombardeio israelense. Segundo a AFP, o incidente também deixou outras 35 pessoas feridas e mais 15 desaparecidas. Em resposta, as forças armadas do Líbano acusaram Tel Aviv de violar o acordo.
Aoun e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, podem visitar a Casa Branca para uma reunião conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “nos próximos dias”, de acordo com anúncio do mandatário americano, para dar continuidade às negociações que começaram na terça-feira, 14, com o encontro dos embaixadores dos dois países em Washington. No entanto, o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, sem participação das forças armadas do Líbano, mas foi completamente escanteado das conversas.







