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Centenas de pessoas foram retiradas de Madaya para não morrerem de fome

A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, disse que as informações que chegam sobre a crise de fome em Madaya e em outras regiões sitiadas são "horrendas"

Pelo menos 300 pessoas foram evacuadas nesta terça-feira da cidade de Madaya, no sudoeste da Síria, que está cercada pelo exército de Bashar Assad e pelo grupo xiita libanês Hezbollah, informou o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdul Rahman. A evacuação acontece depois dos apelos da Organização das Nações Unidas (ONU) informando que centenas de pessoas estavam correndo sérios riscos de morrer de fome. As agências humanitárias, que conseguiram fazer com que um comboio com ajuda finalmente chegasse hoje nessa região sitiada, se depararam com cerca de 400 pessoas que deveriam sair de lá imediatamente para que possam ser tratadas.

O embaixador espanhol na ONU, Román Oyarzun, que faz parte do comitê de serviços humanitários, explicou aos jornalistas que a situação dessas pessoas é “muito crítica” e que se não foram evacuadas nesta mesma noite, o cenário será “ainda mais dramático amanhã”. Nos últimos dias, várias organizações humanitárias tinham denunciado a gravíssima situação em Madaya.

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A cidade, onde vivem cerca de 42.000 pessoas e que sofre o assédio do regime sírio e do Hezbollah há 180 dias, recebeu nesta segunda os primeiros caminhões de uma caravana humanitária de aproximadamente 50 veículos, após meses sem qualquer assistência. Isso aconteceu somente depois que Damasco autorizou a distribuição e, em paralelo, o envio de ajuda às localidades de Foah e Kefraya, de maioria xiita, que há meses estão sitiadas pela organização rebelde Frente al Nusra, que tem vínculos com a Al Qaeda.

Após a reunião do Conselho de Segurança, Oyarzun lembrou que o cerco que tem como objetivo causar fome entre a população é um “crime de guerra” e vai “contra a legislação internacional”. A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, disse em comunicado que as informações que chegam sobre a crise de fome em Madaya e em outras regiões sitiadas são “horrendas”.

(Da redação)