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Centenas de líbios protestam em Trípoli contra ex-rebeldes

Armados, membros de milícias continuam acampados na capital

Centenas de moradores e policiais em Trípoli protestaram nesta quarta-feira contra os ex-rebeldes que derrubaram Muamar Kadafi e ainda estão acampados na capital com armas. Homens, mulheres e crianças, carregando bandeiras líbias se reuniram na Praça dos Mártires em um protesto organizado pelo conselho da cidade e apoiado pelo governo interino.

Entenda o caso

  1. • A revolta teve início no dia 15 de fevereiro, quando 2.000 pessoas organizaram um protesto em Bengasi, cidade que viria a se tornar reduto da oposição.
  2. • No dia 27 de março, a Otan passa a controlar as operações no país, servindo de apoio às tropas insurgentes no confronto com as forças de segurança do ditador, que está no poder há 42 anos.
  3. • Após conquistar outras cidades estratégicas, de leste a oeste do país, os rebeldes conseguem tomar Trípoli, em 21 de agosto, e, dois dias depois, festejam a invasão ao quartel-general de Kadafi.
  4. • A caçada pelo coronel terminou em 20 de outubro, quando ele foi morto por rebeldes em sua cidade-natal, Sirte. Um mês depois, seu filho e herdeiro político Saif al Islam foi capturado durante tentativa de fuga.

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“Estamos protestando contra as armas e as pessoas que as usam. Eu quero que as milícias que vieram de fora de Trípoli saiam. Eles têm que voltar para suas casas e continuar seus estudos”, disse a professora Salwa Lamir, que exibia um cartaz dizendo “O povo quer segurança!”.

Prazo – Na terça-feira, o governo interino deu seu firme apoio a um prazo final de duas semanas para as milícias deixarem Trípoli, reforçando uma ameaça do conselho de bloquear a cidade se eles não saírem no dia 20 de dezembro. As milícias, a maioria de cidades de Misrata e Zintan, participaram da libertação de Trípoli em agosto e estão na cidade desde então, frequentemente ocupando prédios para usá-los como quartéis-generais. Elas criaram postos de controle nas principais ruas e também em instalações como no aeroporto internacional da capital.

As pressões para desarmar os ex-rebeldes em Trípoli aumentaram depois de a imprensa local ter relatado vários conflitos entre facções nas últimas semanas. No dia 5 de outubro, os novos líderes do país ordenaram que todas as armas pesadas fossem retiradas de Trípoli, alertando que a presença prolongada deles poderia passar uma imagem ruim da revolução que derrubou e matou Kadafi. “Essas milícias até intervêm no trabalho da polícia, nos pedindo várias vezes para libertar colegas deles. Isso obstrui a aplicação da lei”, disse um policial, Mustafa Salem.

Dezenas de advogados e juízes também se manifestaram nesta quarta-feira, próximo ao principal tribunal de Trípoli, pedindo proteção. Na terça-feira, segundo testemunhas, dezenas de homens armados e civis forçaram a entrada no tribunal e no escritório do procurador-geral, Abdelaziz al-Hasadi, pedindo a libertação de um ex-rebelde, envolvido em um assassinato.

(Com agência France-Presse)