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Cem anos depois, o mundo homenageia as vítimas da tragédia do Titanic

Por Rogerio Barbosa 15 abr 2012, 12h52

Flores lançadas à água gelada na qual repousa o Titanic, inauguração de um monumento na Irlanda (onde o navio foi construído), cerimônia no Canadá, onde estão enterradas as vítimas da tragédia: cem anos depois da catástrofe, o drama foi recordado nos dois lados do Atlântico e em alto-mar.

Dois navios de cruzeiro, um procedente de Southampton, porto inglês de onde o cruzeiro partiu em 10 de abril de 1912, e o outro de Nova York, destino previsto do Titanic, chegaram ao local do naufrágio na madrugada deste domingo, justo cem anos depois do terrível acidente que deixou mais de 1.500 mortos.

A bordo do “Balmoral”, que refez a travessia do Titanic, 1.300 passageiros, entre eles alguns descendentes das vítimas, guardaram um minuto de silêncio em plena madrugada.

Três ramos de flores, benzidos por um padre, foram lançados da ponte ao oceano, no momento em que, um século antes, o Titanic afundou depois de se chocar com um iceberg, segundo as imagens transmitidas pela BBC.

Para Jane Allen, cujo tio avô morreu na catástrofe, esta cerimônia foi uma experiência inacreditável.

“Você olha para baixo e se dá conta de que cada homem, cada mulher, que teve oportunidade de subir num dos botes salva-vidas, precisou tomar a decisão de pular nele ou permanecer a bordo, à espera da morte”, declarou BBC.

A bordo do “Journey”, chegado de Nova York, os 440 passageiros viveram a reconstituição da catástrofe no mesmo lugar onde o casco do Titanic está afundado, a 3.800 metros de profundidade.

Um século depois, à mesma hora, os alto-falantes do “Journey” repetiram a mensagem de alerta do comandante do Titanic na qual anunciou que o navio, considerado inafundável, havia se chocado com um iceberg, segundo a transmissão do canal canadense CBC.

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Depois foram emitidos, sucessivamente, as diferentes mensagens de socorro, transmitidas em morse, até a última delas, ininteligível pelas interferências.

O naufrágio do “Titanic” foi em sua época símbolo da arrogância do homem moderno castigado pela Natureza e a segregação entre os ricos (na primeira classe) e os imigrantes e marinheiros, alojados nas partes baixas do navio. Para muitos, o acidente significou o início do declive do Império Britânico.

A catástrofe também foi recordada em ambos os lados do Atlântico. Em Belfast, onde o Titanic foi construído, 300 pessoas assistiram neste domingo à inauguração de um monumento no qual figuram, pela primeira vez, os nomes de todos os passageiros e membros da tripulação, incluindo os músicos de bordo.

Os nomes aparecem em ordem alfabética, sem que se faça distinção em função da classe em que viajavam.

Um dos descendentes do dr. John Simpson, médico do Titanic, colocou um ramo de flores ao pé do monumento, uma pedra corada por placas de bronze. “Estou orgulho por manter viva a memória de meu antepassado”, afirmou Jack Martin, de apenas 12 anos.

No porto canadense de Halifax, onde repousam os restos de muitas das vítimas, foram lançados fogos sinalizadores em recordação aos que foram lançados pelo Titanic.

Também foi organizada na noite de sábado uma marcha com tochas. Warren Ervine foi uma das pessoas que percorreu as ruas da cidade com uma vela na mão, atrás de um carro que transportava um caixão vazio. Seu tio avô Albert morreu no naufrágio.

“Há apenas dez anos, eu nem sabia que ele era membro da tripulação”, explicou. “Depois, soube que Albert salvou a vida de várias pessoas. Foi um herói”, consolou-se.

Uma última cerimônia em Halifax prestará homenagem às vítimas com um rito interconfessional no cemitério de Fairview Lawn, onde foram enterrados os corpos de 121 vítimas.

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