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Catalunha pede mediação da UE para resolver crise com Madri

Uma comissão de investigação será criada para analisar possíveis “violações de direitos humanos” causadas pela atuação da polícia no domingo

O chefe do governo regional da Catalunha, Carles Puigdemont, pediu nesta segunda-feira uma “mediação internacional” da União Europeia para o conflito com o governo espanhol. Segundo Puigdemont, este é “um assunto europeu, não doméstico”, de forma que “a UE não pode olhar para o outro lado”.

O líder separatista não deu detalhes sobre a mediação, mas solicitou que o premiê espanhol, Mariano Rajoy, diga se está disposto ou não a aceitar as negociações com a intermediação. “Queremos nos entender com o Estado espanhol”, disse.

Puigdemont convocou uma reunião de emergência do governo regional catalão e pediu que a polícia nacional espanhola se retire da Catalunha, após os conflitos violentos que marcaram a votação de domingo. Segundo a autoridade, uma comissão de investigação será criada para analisar possíveis “violações de direitos humanos” causadas pela atuação da polícia e da Guarda Civil.

Em imagens que rodaram o mundo, as forças de ordem aparecem agredindo com empurrões, socos e balas de borracha os manifestantes decididos a votar. Segundo o Executivo catalão, quase 900 pessoas precisaram de atenção médica. Por sua vez, a União Europeia pediu a Madri e Barcelona “que passem rapidamente do confronto ao diálogo” porque “a violência nunca pode ser um instrumento de política”.

O Parlamento europeu realizará na quarta-feira uma sessão especial para debater a situação na Catalunha. A reunião acontecerá em Estrasburgo (nordeste da França), segundo anunciou o presidente da Câmara, Antonio Tajani.

Madri

Rajoy, se reúne nesta segunda com lideranças do partido governista Partido Popular, antes de convocar uma reunião no Parlamento para discutir quais serão os próximos passos para confrontar a crise mais séria em décadas no país. O primeiro-ministro marcou ainda um encontro com o líder da principal força da oposição, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), para debater as opções.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, Alfonso Dastis, lamentou a violência entre as forças da ordem e os eleitores na Catalunha que, segundo ele, “não foi deliberada”, e criticou “o uso político que se quer fazer dela”.

“Lamentamos essa violência, lamentamos também o uso político que se quer fazer dela e é claro que vamos continuar tentando fazer frente a esse desafio ao Estado de direito e à convivência entre os catalães”, disse o ministro, afirmando mais uma vez a ilegalidade do referendo e da campanha separatista.

(Com EFE e Estadão Conteúdo)